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Cavalos brasileiros despertam a atenção dos Emirados Árabes Unidos


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Símbolo da nação árabe, os melhores exemplares do mundo despertam interesse da família real dos Emirados Árabes Unidos, especialmente Sheikh Mansoor, que além de criador também é um amante do enduro e patrocinador de corridas.

A participação de dois cavalos brasileiros, Rações Guabi Barão, Puro Sangue Árabe, e Rações Guabi Bodolay, Cruza Árabe, na National Day Cup, em 4 de dezembro de 2003 e na President’s Cup, em 19 de fevereiro deste ano, na Emirates International Endurance Village, em Al Wathba, Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e as recentes conquistas de bons resultados em provas internacionais, despertaram a atenção do mundo árabe pelo mercado brasileiro.

Sem tempo hábil e necessário para aclimatação e treinamento (os animais chegaram quatro dias antes da prova), os brasileiros mostraram ao mundo do enduro que aqui se produzem animais de excelente qualidade para a prática do esporte. Rações Guabi Bodolay terminou a National Day Cup, uma prova de 120 km em pleno deserto, em 20º lugar. Para muitos, o resultado pode não ser expressivo, mas se compararmos sua performance com os dos demais cavalos participantes, todos treinados e acostumados com o terreno e clima dos Emirados Árabes Unidos, foi fantástica.

Uma comitiva dos Emirados Árabes Unidos composta por quatro treinadores, dois veterinários e pelo administrador da Emirates International Endurance Village, de Al Wathba Stables, esteve pela primeira vez no Brasil para conhecer cavalos árabes específicos para enduro, entre 29 de abril e 4 de maio. Fizeram parte da comitiva os treinadores chefe de Al Wathba de Al Ain e Abu Dhabi, Ali Khalfan Al Jahwari e Musallam Al Ameri, respectivamente, Majed Khalfan Al Jahwari e Abdul Rahim Hilal Al Jenaibi, treinadores e competidores, os veterinários Andrew Dalglish e David Parra e Ahmed Raffiudeen, gerente da Emirates International Endurance Village, a mais moderna do mundo.

A previsão de estadia dos representantes de Al Wathba era de uma semana, mas como iriam para a Argentina, Chile e Polônia, sua permanência diminuiu. Vários proprietários de cavalos de enduro levaram seus animais para exames no Centro de Treinamento Marechal, em Sorocaba, e no Centro de Treinamento Itaguaçu, na Cantareira. Mais de 90 animais foram observados e testados pelos treinadores e rigorosamente examinados pelos veterinários, passando por exames de Raios-X, ultra-sonografia e endoscopia, no Centro de Treinamento Marechal.

“Esta é a primeira vez que viemos ao Brasil porque ficamos sabendo que aqui existe uma linhagem polonesa muito boa e tivemos a oportunidade de ver e avaliar excelentes animais. O relevo brasileiro é montanhoso e por causa disso os cavalos têm um bom coração e bons ossos, principalmente uma boa estatura, produzindo excelentes animais para a prática do enduro, que pude comprovar quando os experimentei e, levando em consideração que as provas nos EAU são muito duras e pesadas, estamos procurando animais que tenham essas qualidades”, declarou Ali Khalfan.

Ao ser indagado se conhecia animais europeus e se poderia comparar com o que viu no País, Khalfan comentou que não tem muito interesse na Europa porque já conhece os cavalos de lá e pelo que pode ver os brasileiros são mais fortes por causa do sangue polonês. A comitiva retorna no próximo ano e pretende conciliar a visita com alguma prova, pois Ali Khalfan Al Jahwari tem interesse em participar para avaliar o desempenho e comportamento de cavalos brasileiros em competições de enduro.

Ali Khalfan Al Jahwari é o treinador chefe de Al Wathba Stables de Al Ain e um dos principais competidores de Abu Dhabi. Por ter um clima mais seco que Abu Dhabi, em Al Ain os animais são treinados no verão, que garante animais prontos para o início da temporada. Em Abu Dhabi, Musallam Al Ameri treina os cavalos para competições a partir da metade até o final da temporada de provas, desta maneira, Sheikh Mansoor tem cavalos prontos para concorrerem do início ao final da estação, da Primavera ao Inverno. No verão não são realizadas provas de enduro por causa do forte calor.

Andrew Dalglish, veterinário escocês que em novembro completa 10 anos de trabalhos nos EAU, ficou ainda mais impressionado com a qualidade dos cavalos brasileiros, pois já conhecia e examinou Rações Guabi Barão e Rações Guabi Bodolay, quando competiram a National Day Cup, em 4 de dezembro de 2003. “Gostei muito dos cavalos que vi no Brasil. São animais fortes, com boa estrutura e têm tudo para se dar bem em provas nos Emirados Árabes e responder melhor ao treinamento intensivo que desenvolvemos em Al Wathba. Pela maneira que são criados e treinados, apresentam corpo, conformação e estrutura óssea excelentes. O fato de iniciarem em provas somente depois dos seis anos, permite que os cavalos desenvolvam tecido mole, ligamento, tendão, articulações e ossos que cresçam bem fortes, e quando o animal é maduro, esses tecidos estarão bem adaptados e dificilmente sofrerão alguma lesão”, afirmou Dalglish.

O chileno, Davi Parra, já é conhecido no Brasil, tendo acompanhado a equipe chilena em várias provas. Porém, esta é a primeira vez que vem especificamente para examinar cavalos de enduro. “Os animais que examinei são muito mais preparados do que no restante da América do Sul, devido ao maior número de provas de longa distância realizadas no Brasil, o que proporciona um melhor condicionamento e preparação para animais de competição. Examinamos bons cavalos de 10 e 11 anos, difíceis de serem encontrados em qualquer outro país sul-americano”, comentou Parra, que há dois anos trabalha em Al Wathba.

Para Henrique Garcia, veterinário, endurista e proprietário do Centro de Treinamento Marechal, a visita representou um impulso que o esporte estava precisando. “Os últimos resultados de brasileiros em provas internacionais, o Best Condition conquistado por SN Perestroica no Campeonato Mundial de Jovens Cavaleiros (disputado na cidade de Patroni Del Vivaro, na Itália) e as boas campanhas que nossos cavalos vêm desenvolvendo na Europa estão servindo de vitrine para o Brasil. A vinda da comitiva de Al Wathba é o impulso que faltava tanto para o esporte quanto para os criadores que estavam desacreditados nesse tipo de cavalo”, declarou Henrique.

“O Brasil é um celeiro de excelentes cavalos e nossa qualidade é indiscutível em qualquer área. Basta ver os resultados conquistados em exposições internacionais, em Halter, Performance, Conformação, e no enduro não poderia ser diferente. Nós temos um excelente plantel de cavalos para trabalhar e abrir mercado. O interesse e a vinda do pessoal de Al Wathba são de extrema importância para o País, porque além de ser o estábulo que mais provas vence nos EAU, abre as portas para que outros estábulos, tanto de lá quanto da Europa, vislumbrem o potencial do mercado brasileiro”, finaliza Garcia.

Al Wathba Stables – De propriedade de Sheikh Mansoor bin Zayed Al Nahyan, filho do presidente dos Emirados Árabes Unidos (EAU), HH Sheikh Zayed bin Sultan Al Nahyan, é um dos mais modernos estábulos do mundo. Sua extraordinária Emirates International Endurance Village, construída no meio do deserto de Abu Dhabi, inaugurada em dezembro de 2002, alia a mais moderna tecnologia, como os monitores cardíacos e sistema de computação de última geração com a tradicional arquitetura árabe. É lá que são realizadas as mais importantes provas de enduro dos EAU: National Day Cup e President’s Cup.

Al Wathba se divide em dois estábulos. O primeiro está situado a 20 minutos do centro de Abu Dhabi e é onde está localizado o Al Wathba Palace, residência oficial de Sheikh Mansoor, e a Emirates International Endurance Village. O segundo, situa-se em Al Ain, bairro próximo a Abu Dhabi. Mas é no enduro que Sheikh Mansoor é mais conhecido atualmente. Seus Al Wathba Endurance Stables são um exemplo desse amor ao esporte e referência como os mais competitivos no mundo, com sua participação ativa nos treinamentos dos cavalos.

Seu animal predileto é Domino, com o qual participa de provas. “Diariamente, Sheikh Mansoor faz questão de dar as instruções em seu programa de treinamento”, comenta Mussalam Al Ameri. Quando não compete, está em carro, dando apoio e instruções ao seu super star.


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