Publicação da Breeder Editora e Comunicação




Campeonato Paulista, 2ª Etapa
Universidade do Cavalo, Sorocaba

Claudia Leschonski - Junho de 2007

Oi turma,

Já é feriado de Corpus Christi, 5ª-feira, e apenas agora tenho tempo de sentar pra comentar com vocês sobre nossa participação na prova do sábado dia 02.06.07, II Etapa do Campeonato Paulista de Enduro, na Universidade do Cavalo. E olha que hoje mesmo ainda me aguardam as selas e cabeçadas enlameadas...

Com chuva, frio e muita lama, nossa pequena equipe foi bastante bem sucedida. Após várias desistências de última hora, todas motivadas por força maior (viagens, doenças, etc), acabamos competindo só o Aurélio (Aurélio Pires de Oliveira) com Fayad MC e eu na Vênus MC, ambos disputando 60 km; e o Alemão (Adriano L. Souza), competindo pelo Centro de Treinamento da Universidade do Cavalo, estreando o Filou em 20 km velocidade controlada.

Salvo engano de minha parte, foi a primeira vez em que um hanoverano importado da Alemanha participou de um enduro em terras brasileiras. Foi a estréia de todos nós na velocidade livre: Vênus e eu já tínhamos feito 60 km, mas só em velocidade controlada, Fayad tinha competido apenas nos 40 km, e Aurélio é veterano dos bons tempos dos enduros de planilha...


Riding in the rain: Chegada do 2º. anel
Foto: Paula da Silva

Na largada do primeiro anel, de 28 km, a Vênus imediatamente compreendeu (não me perguntem como...) que desta vez se tratava de uma corrida, e ela passou os próximos 15 km querendo galopar rápido. Só lá pelo fim do primeiro anel consegui alongar um pouco a rédea. Enquanto isso, o Fayad seguia com sua habitual cara de eu-adoro-isso-aqui, olhos bem abertos, narinas idem e orelhas em riste.


De perfil: Aurélio e Fayad
Foto: Cornelia Sturm

Foi uma prova muito rápida, devido tanto à chuva e ao frio quanto às trilhas planas. Junte-se a isso o fato de que a turma de 80 km usava a mesma cor de colete que nós nos 60 (branco), e confesso que passei a prova toda sem ter muita idéia se estávamos atrás, no meio ou na frente.

Nossos cavalos seguiram animados no 2º. e 3º. anel. Na metade do 2º. anel, sentindo a égua começar a cansar um pouco, desencanei com acompanhar o pelotão à nossa frente, permitindo aos cavalos acharem seu próprio ritmo, uma vez que nossa primeira preocupação, claro, era terminar a prova com os animais em boas condições! Foi interessante observar que nesta segunda metade da prova Fayad aparentava mais "animado", avançando mais... mas nos vet-checks, Vênus chegava à FC limite de 56 cinco minutos antes dele! Credito isto à maior experiência dela no momento, mas estou curiosa como vai ser quando Fayad tiver um pouco mais de milhagem.

O terceiro anel, planejado para ser o mais rápido, acabou se tornando mais lento por causa da lama que transformava as trilhas no reflorestamento em "ladeira do sabão". Faltavam 5 km para a chegada quando, numa destas ladeiras enlameadas, Vênus arrancou uma das ferraduras! Por sorte, o trecho que faltava era primeiro de asfalto bem novo e plano, e depois num estradão arenoso, e ela bravamente chegou sem "sentir" a mão. Aliás, nosso plano de nos conduzirmos como dupla funcionou bem à medida que os cavalos seguiram calmos na companhia um do outro, ainda que um tanto amadrinhados demais, relinchando quando ficassem separados por cinco metros no vet-check, etc. Vamos ver como lidar com isso em provas futuras.

Na inspeção veterinária final o meu trote já não era aquelas coisas, mas de resto passamos no vet-check com os habituais conceitos - maioria A, poucos B. Fayad até ganhou parabéns pela boa condição física. Enquanto isso, lá na chegada dos 20 km, Filou apresentava uma freqüência cardíaca bem abaixo dos 40 BPM, digna de dar inveja em muito cavalo de enduro...


Direto de Hannover para as trilhas tupiniquins: Filou e Alemão
(no muro: Cássio, Luiza, Claudia).
Obs.: o alemão é o cavalo, o Alemão é brasileiro, entenderam?
Foto: Cornelia Sturm

Hoje, com a publicação dos resultados on-line, já sei o que eu não sabia ao fim do enduro: que havíamos chegado em 6º e 7º lugares (total de 17 competidores na categoria adulto), na verdade um empate em 6º., uma vez que Aurélio e eu havíamos optado por chegar estribo com estribo / focinho com focinho / de mãos dadas, como queiram, mas enfim, juntinhos! Vejam em anexo as planilhas oficiais da prova, vale a pena fuçar um pouco. Além da planilha de resultado final, vocês encontrarão as parciais por anel e também o gráfico de desempenho dos primeiros colocados.


Claudia com Vênus MC e Aurélio com Fayad MC
Foto: Cidinha Franzão

Ficamos a dezoito minutos do primeiro colocado e a pouquíssimo tempo (30 segundos da quinta colocada...) de conseguir uma vaga no pódio. Talvez Vênus sozinha teria chegado dez minutos antes, justamente o tempo adicional que a baixada de FC do Fayad demandou nos intervalos (ou talvez ela teria se saído muito pior, sem a presença tranqüilizadora do amigo... ).

Nossa velocidade média em trilha foi de 16,70 km / hora, mantendo constância ao longo de todos os anéis, consistência também refletida nos resultados parciais, como vocês poderão estudar nas planilhas. Foi legal também o fato da nossa equipe, com apenas dois integrantes, ter ficado em sexto lugar dentre 23 equipes concorrentes na velocidade livre, com 25,56 pontos (quatro pontos abaixo da equipe líder!).

No dia seguinte no pasto, ambos os jovens atletas (Vênus está com seis anos e Fayad com cinco) mal mostrando os esforços do dia anterior: hidratação normal, sem dores musculares fortes na palpação (pelo menos aparentavam menos doloridos do que eu estava!), mucosas boas. O Fayad com o vazio um pouco "murcho", como seria de se esperar considerando que das provas de 40 km a 10 km/h ele havia passado diretamente a 64 feitos em quase 17 km/h!

Em suma, fiquei feliz porque conseguimos seguir o plano, que era estrear os cavalos na velocidade livre aceitando o que eles tinham para oferecer, mas sem forçar, e que fazer isto foi o bastante para concluirmos bem e sem fazer feio. Creio que estamos no caminho certo. Sinto que os cavalos deram o máximo, no bom sentido, ou seja: sem se esforçarem acima do aceitável para suas condições físicas e técnicas atuais. Consoante com o lema maior do enduro: terminar é vencer, e até aptos a continuar por mais um anel se necessário fosse. Para que os dois cavalos se tornem competitivos de fato na velocidade livre, basta um pouco mais de condicionamento e experiência, seja para chegar mais rapidamente à FC-alvo nos vet checks, seja para sustentar velocidade mais elevada de maneira econômica. Falta também a manha dos cavaleiros ainda meio crus (apesar de madurinhos, hehehehe) para administrar a chegada de cada anel otimizando a apresentação no vet-check.


Como se não bastasse a chuva... mais água!
Foto: Paula da Silva

(E prometo que nunca mais saio para a trilha sem um Easyboot...!)

Este é um bom momento para agradecer aos proprietários, patrocinadores e demais envolvidos, que possibilitaram nossa participação na prova. Então vamos lá:
- Ricardo, Sabina e sua filha Daniela, titulares do Manège Capela, que desta vez não estavam com a gente nas trilhas, mas que deram todas as condições e apoio para que nossa participação acontecesse mesmo na ausência deles;
- Ronaldo da Dispet, distribuidora Guabi de Sorocaba, pelo patrocínio e pela torcida. Creio que a boa forma física dos cavalos não apenas durante o enduro, mas sua evolução nos últimos tempos, comentada por várias pessoas que conhecem a nossa tropa, tem origem na equação treinamento & nutrição;
(Obs.: os animais do Manège Capela são alimentados com ração Guabi; o CT Universidade do Cavalo é parceiro da igualmente excelente linha Purina para eqüinos.)
- Nossa equipe de apoio in loco: Geraldo, Mari, João Pedro, Gabriel, Rodrigo;
- Mênção honrosa à Cornelia, impedida de participar de última hora (de cama com gripe...), mas que participou de muitos treinos;
- Vivas para a Universidade do Cavalo, Aluísio à frente, pela acolhida aos nossos animais e à prova como um todo;
- Abraços e beijos também para... Eli, Darcy, Cadão e Sílvia pela bela trilha, Vanda, Cidinha, Paula, e todos os parceiros de trilha que ajudaram conversando, tirando dúvidas, fazendo companhia;
- Todos os cavaleiros e amigos que em algum momento manifestarem interesse em integrar a equipe, e/ou chegaram a se inscrever: Cornelia, Natália, Marquinhos, Raphael. Sempre há o próximo enduro, e vários cavalinhos talentosos aguardando vocês lá em casa;
- Alguém que porventura eu tenha esquecido...


É nóis! Uma equipe enlameada (da esquerda para a direita):
Fayad, Mari, João, Vênus, Claudia,
Gabriel, Rodrigo, Geraldo e Aurélio

Espero que tenham curtido a leitura, e fiquem à vontade para divulgar para todos os amigos interessados em cavalos e em enduro.

Abraços a todos,

Claudia Leschonski, (11) 9934 6554