C A N A I S




Opinião
Dicas para uma boa prova
por Júlio Villas Boas

A maioria dos enduristas tem seus cavalos em sua casa, sítio ou haras. Assim, a participação em provas deve ser planejada com antecedência. Uma lista de prioridades e o estabelecimento de formas de controle fazem parte de uma participação séria em uma competição. O ideal é fazer um check list que contemple desde a escova e raspadeira até as selas. Quando se está em um Centro de Treinamento, várias providências para uma prova são tomadas pelo gerente ou encarregado. Mesmo assim, estabelecer uma rotina prévia visando a participação em uma competição é muito importante. O esquecimento de um balde ou fardo de feno pode atrapalhar a alimentação após a viagem, ou a falta dos speks para o piquete pode significar demora no relaxamento dos animais.

A primeira regra básica para programar a participação em uma prova é não estrear ou experimentar nada diferente do utilizado em casa. Não esqueça que uma prova de enduro é de longa duração e as conseqüências de um erro geralmente são de difícil recuperação. Nada que não tenha sido testado antes deve ser feito na prova. O eletrólito, a ração, o feno devem ser aqueles que o animal está acostumado; qualquer suplemento não deverá a ser utilizado sem antes se conhecer a reação do cavalo. A recusa ou não por parte do cavalo de um novo eletrólito pode significar uma maior ou menor desidratação, uma “papinha” aconselhada por amigo pode levar a um mal estar ou enjôo do animal e comprometer o rendimento. Nada de acreditar na sorte.

A sela, manta, cabeçada e a embocadura não podem, de maneira nenhuma, serem utilizadas em prova sem antes serem aprovadas durante o treinamento. Uma assadura, ou uma pisadura após 20 km, geralmente tiram o conjunto da prova ou comprometem a participação, sem falar em uma cilha mal ajustada ou uma cabeçada apertando o chanfro. O mesmo cuidado deve se ter com o cavaleiro, um capacete largo dançando na cabeça ou um calçado mal adaptado são verdadeiros tormentos em uma prova de horas.

Outra regra é a equipe de apoio. Parafraseando o anúncio, no enduro não basta competir tem que ter participação. Leve aquilo que você e seu pessoal de apoio sabem usar, não adianta sofisticar se o apoio não tiver intimidade com o equipamento. Treine a equipe antes; defina as responsabilidades. Cerveja e churrasco só depois da prova. Festa é bom, mas durante a prova ter seriedade é fundamental.

Estabelecer uma estratégia junto com a equipe implica em definir em que pit stop estarão de prontidão, quem estará na linha de chegada esperando o conjunto e com quem ficará o cartão de controle veterinário; quem apresentará o cavalo aos veterinários, quais são os cuidados que se deverá ter com o animal antes e depois dos vets checks. É importante ter sempre uma pessoa para centralizar a organização do apoio, principalmente se a participação da equipe na prova for com mais de um conjunto em categorias diferentes.

Verificar o equipamento antes da prova, faz parte do rol de providências: o monitor cardíaco deve estar funcionando bem, será que a bateria não está gasta? A bota de gelo está ok? A sela e a cabeçada foram limpas, oleadas e checadas. O Hackmore vai quebrar, o loro vai arrebentar ou a rédea vai deixá-lo literalmente na mão?

Providências para assegurar o bem estar do cavalo devem ser garantidas. Na semana que antecede a prova deve ser feito, como parte da rotina preparatória, um exame clínico detalhado. Às vezes, uma dor muscular, uma sensibilidade ao ser aferida pode significar um tratamento preventivo ou um cuidado diferenciado durante a corrida. Cuidado com as ferraduras. Fazer uma programação, de preferência, de forma que seja feito um ferrageamento na semana anterior da prova. Eletrólitos são imprescindíveis; gelo deverá ser garantido à véspera da prova. A capa está em boas condições?

Tomar medidas preventivas para uma chuva repentina ou uma mudança de tempo ao final da tarde é sempre bom. Ao voltar do vet check para o box de apoio e iniciar o período de descanso, o animal resfria com o corpo molhado e se o tempo estiver esfriando a utilização da capa ajuda muito. Outra medida que ajuda é levar várias mantas para a competição. Substituir a manta suada por uma nova é um ótimo hábito e o cavalo agradece.

Para o cavaleiro ter uma roupa sobressalente para uma eventualidade é muito bom. Às vezes, a chuva e, em outras, o suor levam a uma situação bastante desagradável. A caixa térmica foi preparada, tem isotônico e água, frutas e sanduíches? O ideal é separar, para garantir, a parte do cavaleiro. Não foram poucas as vezes em que o pessoal do apoio se excedeu e esqueceu que o cavaleiro precisa se reabastecer nos intervalos entre os anéis. A barraca, com mesas e cadeiras, bem organizada, com garantia de alimentação e bebidas para o cavaleiro e a equipe é hoje utilizada pela grande maioria das equipes; conforto e funcionalidade ajudam não só no bom desempenho do conjunto, mas criam aquele clima de confraternização e de boa vizinhança que tem caracterizado as provas de enduro.

A viagem propriamente dita deve ser também programada. O embarque do caminhão deve ser previsto em função do horário de alimentação dos animais. Para os cavalos, viajar de barriga cheia não é recomendável. Se a viagem for longa, prever paradas para garantir a hidratação dos animais. O tempo de viagem deve ser estimado de tal maneira que o horário da chegada seja compatível com o horário de recepção dos animais. É claro que o passaporte tem que ser verificado: as datas de vacina devem estar dentro da validade, o selo não pode estar vencido. Mesmo com passaporte, é bom ter o GTA (Guia de Transporte de Animais), pois a polícia rodoviária se faz de desentendida sobre a substituição do GTA pelo passaporte da CBH.

E os exames de AIE, nem se fala. Sem ele, você não passa na primeira barreira e muito menos desce no local da prova.

A quantidade de acertos e erros antes da prova é diretamente proporcional à qualidade da nossa participação. Prepare-se antes.

Julio Villas Boasjuliovb2000@yahoo.com.br