Opinião
Derby
de Enduro Eqüestre
por
Júlio Villas Boas “O
Derby de Enduro Equestre, novo formato de prova de enduro,
foi realizado
neste Sábado, dia 13 de dezembro, em Belo Horizonte, no Centro Hípico
Corumi, estive lá para participar e conferir as possibilidades do
formato que o Mariano Salles idealizou.
As minhas
expectativas eram grandes. Não sou novidadeiro mas
essa proposta de prova me atraiu. Uma prova fácil
de organizar, com custos baixos, atraente para o público
e mídia e disputada, era necessário conferir.
A despeito das caretas feita pelos mais conservadores ou
dos puristas com comentários do tipo de “essa
prova não é enduro, para ser assim é melhor
fazer em um hipódromo”, ou “ é uma
prova para aniquilar cavalos”, e por ai vão
os comentários daqueles que não viram, não
participaram e não gostaram, pois estão enganados.
A idéia é boa, aliás é muito
boa.
A prova
de 13 de dezembro, teve 21 participantes, a grande maioria
enduristas experientes de provas de velocidade livre, muitos
participam do circuito nacional de provas e são cavaleiros
de chegada. Todos, sem exceção, saíram
com elogios à prova. O calor muito forte e a umidade
bastante alta, na véspera choveu muito em BH, contribuiu
para o grande número de desclassificações,
mas a verdade é que uma prova como essa exige rigor
da equipe veterinária e os veterinários foram
ciosos das suas obrigações.
Aliás,
não posso deixar de destacar a postura séria
e ao mesmo tempo colaboradora do Dr. Kurtz, (e não
falo por satisfação pessoal, que a Julia abandonou
a prova na oitava volta), neste tipo de prova a equipe veterinária
tem uma baita responsabilidade. Prova de alta performance,
em que a disputa está permanentemente presente, convidando
(sempre) o conjunto a um esforço a mais para ultrapassar
o concorrente, coloca a necessidade de um grande cuidado
com os cavalos. Não houve nenhum animal em tratamento,
parabéns a equipe veterinária.
A trilha
de 2500m com uma subida forte 180 m, com curvas fechadas,
pequenas subidas e descidas e um grande trecho plano, com
largura de mais ou menos 2,50m facilitava a disputa ao mesmo
tempo que exigia uma atenção permanente do
cavaleiro. Tirar o máximo do cavalo com o mínimo
de dispêndio de energia, e na medida que os trechos
se repetiam essa atenção é mais exigida,
pois cavalo e cavaleiro procuram otimizar seu rendimento
de acordo com suas características mas acossados diretamente
e permanentemente pelos outros competidores, assim, se bobear
o cavaleiro deixa de fazer a sua prova para fazer a do outro.
O anel era feito em torno de 7 a 9 min, tenho a impressão
que uma trilha um pouco maior em torno de 3500 m a 4000 m,
com topografia que indique um tempo médio de 11 a
15 min, pode facilitar a vida da mesa contadora e das informações
da prova e aumentar o clima da disputa.
Sim, porque
esta prova é para quem gosta de disputa, nada contra
os que fazem enduro por lazer, ou os que levam ao pé da
letra a máxima de terminar é vencer, mas essa
prova é para aqueles que gostam de um páreo, é adrenalina
pura, e neste sentido saber de maneira correta e permanente
a sua posição (do cavaleiro) é fundamental
para saber com quem disputar. A equipe de apoio é fundamental.
Existem,
hoje, tecnologia de controle eletrônico, telemetria,
mas, ainda, não se coloca esse investimento. O Mariano
anda checando preço e sistema de controle mas não
chegou a uma boa solução, então temos
que resolver, pelo menos inicialmente de maneira artesanal.
Um programa
de controle digital, um mapa de colocações
e um método de informação oral ou escrita
de maneira sistematizada para manter informados de maneira
constante, público, apoio e competidor. Essa providencia é essencial.
Eu nunca estive em um boxe de corrida de automóvel,
mas tenho a impressão que é algo parecido:
tem que tomar o tempo do competidor, informá-lo se
está andando menos ou mais, se o concorrente direto
está bem ou mal, se quem está atrás
está em melhores ou piores condições.
As informações são fundamentais neste
tipo de prova.
O fato
das paradas serem fruto da decisão de cada competidor
e de sua equipe implica em estratégias diferentes,
nesta prova a maioria dos competidores fizeram a opção
pelos terços da prova, com variações
de mais uma ou menos uma volta, e ai quem recupera mais rápido
retoma com ganho de posição. O primeiro Vet,
o limite era 56 de Bpm em no máximo 15 min. O segundo
e o final, 56 Btm em 20 min. me pareceu o suficiente para
manter as coisas em um bom astral, sem surpresas e acontecimentos
desagradáveis. Me parece que esse parâmetro
deva ser revisto a cada prova, é fundamental para
limitar os excessos. O conjunto mais rápido terminou
a frente do outro conjunto cerca de três minutos, mas
perdeu a prova, não baixou de 60 bpm. A velocidade
de trilha do pelotão da frente foi em torno de 18
Km/h. Bastante razoável, alias menor que as velocidades
médias das ultimas provas convencionais de distancias
parecidas.
O pelotão
da frente alternou posições durante toda a
prova, mas não houve surpresas. Ganhou e se colocou
nas primeiras posições os que se mantiveram
na frente o tempo todo, mas houve casos de recuperação
no final, de conjuntos com reservas maiores. Outro aspecto é que
neste tipo de prova o preparo do cavaleiro é colocado à prova: é tensão
o tempo todo, e sem preparo físico vai virar saco
de batata em cima do cavalo.
Um problema
desta prova é quem fica para trás perde um
pouco o estímulo, tomar volta não soa bem.
Nas provas convencionais tem gente que termina uma, duas
horas depois do primeiro, nesta fica um pouco sem sentido.
Uma providência futura é terminar a prova na
volta do vencedor. Mesmo porque o bom desta prova é a
sua agilidade e saber o resultado logo é imprescindível.
No Sábado,
o ultimo colocado tomou cinco voltas do pelotão da
frente, a um tempo de 10 min. por volta, obrigou a espera
de 50 min. para anunciar o resultado. Esta providência
será muito bem vinda. A impressão que me deu é que
este tipo de prova, pela facilidade de organização
e pelo custo, facilita que sejam feitas muitas em locais
diferentes e de maneira simultânea. Algo como rédeas
e salto, em cada final de semana quantas provas são
realizadas?, cada centro tem a sua e convida os vizinhos
ou próximos. As nossa provas convencionais exigem
um tipo de organização. A mais simples não
deixa de se revestir da característica de um evento, é sempre
um evento, é sempre muito trabalho para quem organiza
e muito custa para quem vai.
Premiação
em dinheiro, 60 % do valor das inscrições são
destinadas aos três primeiros colocados, uma prova
barata e com premiação em dinheiro, fácil
de fazer, pode popularizar o enduro. Vai substituir as provas
convencionais? Claro que não e é uma bobagem
pensar isso, as provas convencionais continuarão existindo
e serão cada vez mais revestidas das características
de grandes eventos.
O Derby
de enduro (foi o nome de batismo dado pelo Mariano) pode
somar ao nosso calendário. É um formato de
prova bastante atraente e que me desculpem os tradicionalistas
e saudosos do passado, mas como diz a música “é bom
olhar para trás e ver o que construímos, é bom
olhar para frente, porque é sempre diferente “.
Valeu Mariano.
A prova foi ótima. A idéia é muito,
mas muito boa mesmo.”
Sylvio
Bitencourt, endurista. Integrou a equipe brasileira de enduro
eqüestre nos WEG’s 2002
“Estive em Belo Horizonte para participar, conhecer e poder avaliar o conceito
inovador que o Mariano está desenvolvendo. Sei que alguns têm sido
contrários à idéia sem nem ao menos saber muito bem do que
se trata, mas as vantagens do novo sistema são várias e nada impede
que os dois tipos de provas ocorram normalmente.
Para que
se visualize melhor, relaciono o que constatei durante a
prova: - para o cavaleiro que gosta da companhia da família
e principalmente para os pais que acompanham os filhos, é super
interessante.
Vi filhos
empolgados passando informações aos pais sobre
a prova, esposas interessadas participando animadas. Diferentemente
das provas tradicionais, o contato do competidor com o apoio é constante
e motivador.
Segurança
para o cavaleiro e para o cavalo: qualquer acidente pode
ser rapidamente atendido devido a constante proximidade do
apoio de médicos e veterinários.
Igualdade
de condições nos pits: em várias provas
existem muitas dificuldades em se fazer os pits durante a
trilha. É necessário transporte e ajudantes,
muitas vezes mais que um apoio devido a distância de
cada pit. Aqueles que têm mais condições
recebem ajuda, outros não. Na versão derby,
como o cavaleiro passa a todo momento pelo local do vet,
o apoio é extremamente simples de ser feito o que
permite maior igualdade de condições, principio
básico de uma competição.
Possibilidade
de continuar competitivo em uma prova mesmo quando se perde
uma ferradura. E como é triste abandonar uma prova
devido a ferradura. No caso de uma perda, o cavaleiro pode
rapidamente chegar ao vet, fazer uma apresentação
e, enquanto corre o tempo de descanso, ferrar seu cavalo,
perdendo assim pouquíssimo tempo.
Possibilidade
de continuar na prova mesmo com a quebra de material: pelo
mesmo critério do item anterior.
Tranqüilidade
para a equipe veterinária: os veterinários
estão em constante contato com os conjuntos e podem
acompanhar o ritmo de cada um, podendo a qualquer momento
desclassificar um cavaleiro e/ou atender um cavalo.
Inscrições
mais baratas e conseqüente maior numero de participantes:
o preço para se organizar uma prova é bem inferior
e o tempo necessário para os preparativos também.
Não são necessários fiscais, rádio,
pedir permissão para passar pelas fazendas, levantamento
de trilha, etc.
Interesse
muito maior da mídia: uma prova pode ser facilmente
acompanhada. Até mesmo a transmissão televisiva
se torna interessante e prática. Algumas câmeras
colocadas em locais selecionados pode gerar ao espectador
toda emoção da prova, permitindo acompanhar
a disputa a todo momento. Como seria emocionante acompanhar,
por exemplo, a disputa da Taliberti com o Leco em Santa Rita!
E para todos os presentes nos vets, seria muito bom acompanhar
seus conjuntos e os pegas pelo telão.
Maior possibilidade
de patrocínio: à medida que aumenta a visibilidade
das marcas, aumenta também o interesse de empresas
em participar dos eventos.
Maiores
possibilidades de escolha para o local da prova: mesmo regiões
metropolitanas poderiam abrigar competições,
não é necessário grande espaço
para a trilha. A possibilidade do público acompanhar
as disputas a todo momento conjuntamente com a facilidade
de acesso pode gerar um grande numero de espectadores.
A possibilidade
de um cavaleiro se perder é quase zero. A marcação
da trilha é quase desnecessária. Há ainda
extrema facilidade em se conhecer o percurso antes da prova,
até mesmo a pé. Enfim, as vantagens são
muitas e a idéia deve ser observada de perto. Para
aqueles contrários a tudo que é novo, principalmente
por se sentirem inseguros de como será seu desempenho
com a nova versão, peço que ao menos observem
o trabalho do Mariano e dos cavaleiros de Minas Gerais. Parabéns
Mariano e obrigado!”
Júlio
Villas Boas, diretor de enduro do Rio de Janeiro, endurista
e orgnizador |