C A N A I S




Mensagem a cavalo
Semana de 17 a 23 de Abril

Padrão racial x mercado
Aluisio Marins, MV.

Toda raça por definição possui o chamado padrão racial. Um conjunto de características físicas e morfológicas entre grupos de mesma espécie, formando assim a raça. Além disso, possuem aptidões e habilidades desenvolvidas ao longo dos anos, e que acabaram por selecionar e mostrar qualidades para a definição do chamado padrão racial. Então, o conjunto entre morfologia/conformação e habilidades forma uma raça. Por exemplo, os cavalos Quarto de Milha, com suas habilidades para o trabalho em fazendas, os cavalos Lusitanos utilizados nas guerras e touradas, os cavalos Crioulos também utilizados em batalhas e trabalho no campo, os Árabes utilizados no deserto em longas travessias, o Mangalarga usado nas fazendas e assim por diante. Uma associação de raça nada mais é do que um conglomerado de pessoas que gostam de cavalos com as mesmas características físicas, comportamentais e habilidosas, e que procuraram um dia organizar em forma de registro genealógico os indivíduos de cada um destes criadores. A partir do momento em que se definiu um padrão racial e se criou uma associação da raça, teoricamente todos os criadores daquela raça devem seguir este padrão em sua criação, e por isso existem os técnicos, os julgamentos ,etc.

Porém, em algumas raças vem acontecendo algo que de primeiro momento podemos julgar como errado ou incorreto, mas que gostaria de fazer uma abordagem um pouco diferente. Estamos vendo muitos cavalos serem exportados nas diversas raças. Ao mesmo tempo, novas modalidades esportivas surgem para raças até então ainda não exploradas nestas modalidades. Estes dois exemplos nos servem bem. A pergunta básica é: cavalos que se viram aptos em modalidades esportivas, e que estão sendo procurados pelo mercado, mas que não estão dentro do padrão racial, devem ser tratados como dentro de uma raça? Outra pergunta: a mudança de alguns aspectos dentro da morfologia em detrimento do sucesso dentro desta ou aquela modalidade deve ser tratado como pelo criador? Perguntas como estas estão “virando a cabeça” de técnicos, diretores e criadores, já que sabemos todos que já existem criadores que não estão mais fazendo tanta questão em registrar seus cavalos que estejam fora do padrão, mas os vendem como da raça, com mercado e clientes querendo estes animais. Ao mesmo tempo, sabemos que não se pode mudar um padrão racial como se muda de roupa. Por experiências de algumas associações que tentaram mudar demais seus indivíduos, vemos que isso não deu certo e na verdade a mistura ou mudança muito brusca acaba em nada, em bagunça, em irregularidades e falcatruas. Um dilema para todos pensarmos sobre nossos cavalos, nossa associação e nosso mercado. Vender cavalos é muito bom, criar cavalos é muito bom, mas qual o limite para tudo isto acontecer, se é que existem limites para o mercado?

Boa Semana!

Fonte: Universidade do Cavalo
http://www.universidadedocavalo.com.br