Semana de 7 a
13 de Novembro
NEGÓCIO É NEGÓCIO...
Aluisio Marins, MV
Nesta semana encontrei um amigo de muitos
anos. Começamos
a conversar sobre negócios, família, etc. Me
contou que estava trabalhando em uma loja de venda e copra
de carros, e que havia feito um ótimo negócio.
Vendeu um carro velho a um conhecido e comprou o novo. Na
conversa, dizia-me ele que estava muito satisfeito, já que
o carro estava realmente velho, prestes a quebrar de vez,
além de outros pequenos problemas como uma batida
antiga muito bem maquiada, um arranhado grande em baixo e
um escapamento prestes a cair, amarrado com uma chamada “gambiarra”.
Este amigo realmente estava muito contente. O negócio
foi bom, ele ficou livre do carro velho, vendendo-o por um
preço acima do que ele valia. Quando perguntei a ele
sobre a venda de seu carro muito velho a um conhecido, obtive
um “sinto muito mas negócio é negócio”,
completado com um “se ele comprou, agora o carro é dele” ,
seguido de uma risada daquelas bem discretas, como se dizendo
o muito esperto...
Enquanto ele falava, comecei a lembrar
dos cavalos e dos negócios de cavalos. Quantos profissionais
vendem cavalos como este meu amigo vendeu seu carro? Quantas
pessoas
entram no mundo dos cavalos e saem sempre que descobrem que
foram enganadas ou não totalmente informadas sobre
o animal, o equipamento, o local, etc? Quantas pessoas você conhece
que já foram enganadas por vendedores, instrutores,
pessoas que se dizem profissionais do cavalo, e pessoas que
se julgam sérias e responsáveis? Ao mesmo tempo,
quantos pais, tios e compradores nem sequer tem a humildade
de em pedir auxílio a um profissional para comprar
um cavalo ou um equipamento, fazendo o simples julgamento
da compra pela experiência em negócios? Quantas
estórias de pessoas que compram cavalos, enjoam deles
ou são obrigadas a parar de montar por motivos dos
mais variados e que, simplesmente nunca mais o vão
ver na hípica? Sem querer julgar as pessoas, ou generalizar
tudo isto, gostaria de sugerir uma reflexão por parte
de profissionais, amadores, clientes e pessoas que possuem
qualquer relação com cavalos: será que
estamos tratando deste assunto como meu amigo tratou da troca
de seus carros? Será que o profissionalismo honesto
e pleno é maioria ou minoria no nosso mercado? Será que
as pessoas nunca acreditam que cavalo no Brasil tem tudo
para ser algo sério? Será que proprietários
realmente podem se isentar do conhecimento sobre cavalos?
Acredito que os profissionais devem buscar o profissionalismo
sempre. Acredito, também, que de nada adianta profissionalismo
sem que o proprietário participe ao mínimo
da vida de seu cavalo. Acredito que nosso mercado merece
mais do que o exemplo da troca de carros de meu amigo.
Boa Semana!
Fonte: Universidade do Cavalo
http://www.universidadedocavalo.com.br
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