A chegada que irá perdurar na história
do enduro mundial
"Descrever
aquele momento da chegada é difícil. É uma vontade
que fica ali quieta e quando
aparece a oportunidade, ela sai avassaladora!”
O ano de
2007 ficou marcado por muitas conquistas, medalhas, cavalos novos, mas
certamente há um acontecimento que permanecerá na memória
de muita gente e na história do enduro, que foi a grande chegada
de Vitória Lins no Sultan’s Cup Terengganu, Try Out da
Malásia.
“Eu terminar a prova da maneira como aconteceu foi completamente
diferente do que chegar calmamente em 4º lugar, porque não
teria nenhuma emoção! Essa disputa mostrou que nós
brasileiros temos cavalos para competir com os melhores do mundo”,
conta Vitória “Descrever aquele momento de sprint é
difícil, porque é um sentimento de acreditar em você,
no cavalo, misturado com uma vontade de fazer algo diferente e especial.
É algo que fica ali, guardado dentro da gente e quando aparece
uma oportunidade ele sai”.
Vitória Lins e Filoteu Rach estão mostrando em pouco espaço
de tempo que darão muito trabalho nas trilhas do enduro. O conjunto
começou o ano de 2007 com uma prova de 120 km em maio, em Paraopeba,
observatória para o Pan. Eles conquistaram a 3ª colocação
e o Best Condition.
A endurista conta que apesar de ter começado bem devagar no enduro,
fazendo provas de limitada, depois livre curta distância para
aí fazer longa, as coisas acabaram acontecendo rápido:
“Antes de fazer a etapa de Paraopeba, eu havia terminado três
provas de 120 Km com outros cavalos. Paraopeba era mais uma prova para
ser completada, mas aí aconteceu aquele resultado ótimo
e então foi tudo muito rápido, o Pan e depois Malásia.
É impressionante como uma coisa puxa a outra!”.
Com o 2º lugar que Vitória conquistou no Pan, também
com Filoteu Rach, surgiu o convite para o Try Out da Malásia,
um grande desafio para a endurista, já que seria a 1ª prova
de 160 km dela e do cavalo. Mas além disso, a amazonas teria
outro grande desafio a enfrentar, o medo “Além de estar
do outro lado do mundo fazendo a minha primeira prova de 160 km, eu
tive que superar meu medo! Morro de medo de me perder! A prova era de
noite! Eu acho que o maior desafio é superar os medos e os desafios
são para serem enfrentados”.
Ela completa dizendo que Filoteu também a ajudou muito, porque
se sente muito segura com ele “É um cavalo muito ligado
na vida, sempre atento, de muita garra. Filoteu é concentrado
na trilha, nos comandos de rédea e perna. Ele é especial!”.
Quanto ao mundial da Malásia, Vitória confirma a vontade
de fazer bonito para seu país. Ela acredita que o Brasil tem
condições de formar uma grande equipe e chance de obter
resultados ótimos, mas que para isso é importante a formação
de uma equipe com cavaleiros que pensem da mesma maneira “Acho
que o mundial será totalmente diferente do Try Out em termos
de velocidade e estratégia, por isso é preciso cavaleiros
conscientes, que deixem a vaidade de lado para realmente formarmos uma
equipe”.
Das experiências que ficaram da Malásia, Vitória
acredita que os cavalos podem se adaptar bem a viagem e ao clima, sendo
isso um fato positivo para o Brasil. Ela conta que um pouco difícil
são os horários “Quando você está
comendo quer dormir e quando dorme acorda com fome, mas gostei da prova
de noite, apesar do medo de me perder!”. Ela completa dizendo
que de noite é mais fresco e que a chuva não é
tão ruim. Que muito mais desagradável é o calor
durante o dia.
A paixão de Vitória por cavalos é de nascença,
já que seus pais sempre gostaram de cavalos. Quando tinha 8 anos,
seus pais compraram uma fazenda e daí por diante ela nunca mais
passou um final de semana no Rio de Janeiro, sempre ia à fazenda
e isso é até hoje.
“Vamos para a fazenda todos os finais de semana e é
quando eu treino”, conta ela que aproveita para treinar aos
sábados e domingos, 3 horas por dia. Quando um dos veterinários
dos cavalos, Henrique Garcia, vai fazer o apronto antes da provas, ela
também sempre está por lá. Nas férias ela
curte a fazenda com família e monta sempre.
Vitória e Nick têm três filhos que são muito
incentivados a montar. Para Vitória, uma das maravilhas do enduro
é ser um esporte para toda a família.
Na fazenda eles tem uma equipe de seis pessoas que cuidam do cavalos
“O Robson é o gerente. Ele fez um trabalho maravilhoso
com o Filoteu na Malásia. O Henrique Garcia e Paulão são
os veterinários. Ambos são muito importantes nas nossas
trilhas”.
A endurista finaliza dizendo que seu marido Nick Lins é um grande
incentivo “Sua determinação em fazer coisas
bem feitas e com muita dedicação me ajuda muito”.