Publicação da Breeder Editora e Comunicação



Ana Carla Maciel garante ao Brasil 2º lugar
no ranking FEI de 2007

2º endurista do ranking FEI em 2007; 1º lugar do ranking CBH em 2003, 2005 e 2007; Campeã Brasileira em 2005 e Vice Campeã em 2004 e 2007; medalha de bronze por equipe no mundial Young Rider em Bahrain no ano de 2005 e na Argentina em 2007; medalha de ouro por equipe no Panamericano de 2007 no Brasil


Com tantas conquistas no decorrer destes anos, ela só poderia encerrar sua temporada na categoria Young Rider com chave de ouro. Ana Carla Maciel ficou com a vice líderança do ranking da Federação Eqüestre Internacional (FEI). Mas esta foi apenas uma das conquistas desta jovem, que agora aos 21 anos, estudante de Propagande e Marketing da Faculdade ESPM, inicia sua caminhada na categoria Adulto de Enduro Eqüestre.
Ana iniciou seu contato com os cavalos aos 3 anos de idade, na fazenda de seu avô Olavo. A família da endurista sempre montou e tinham aulas na Hípica em São Paulo, mas ela, por ser a mais nova, só teve contato com cavalo realmente aos 8 anos, quando iniciou aulas de equitação em Bragança Paulista, com Arton. A paulistana irá contar um pouco de sua trajetória e suas experiências no enduro:

Como iniciou no enduro?
O Ayrton e o seu filho já praticavam Enduro, assim que ganhei a confiança dele resolvemos buscar um cavalo para mim e outro para o meu irmão, que na época ainda montava, para iniciarmos nas provas de regularidade. Foi logo nesse meu primeiro ano de provas que ganhei o Pimentinha de um tio meu, que não entende absolutamente nada de cavalos. Meu irmão me acompanhou durante dois anos e depois continuei sozinha.

Quais os resultados expressivos que já conquistou?
Em 2003 começei a conquistar alguns resultados importantes o que me proporcionou o primeiro lugar no Ranking CBH de YR, o que se repetiu em 2005 e nesse ano que terminou de 2007 também.
Em 2005 foi a minha primeira prova fora do Brasil representando o país oficialmente. Em Bahain participei da equipe que conquistou a medalha de bronze inédita e fui a primeira brasileira a terminar a prova.
No ano de 2007 fui convocada novamente para representar o país em um Mundial, desta vez na Argentina, onde preservamos a nossa medalha de bronze por equipe. Além disso, houve também o Panamericano onde também representando o país, conquistei a medalha de Ouro por equipe. Fechei esse ano com a liderança do Ranking CBH e a vice do Ranking FEI YR.
Conquistei o campeonato Brasileiro em 2005 e vice em 2004 e 2007.

Quando iniciou já tinha como objetivo tornar-se uma das enduristas de ponta do Brasil?
Nunca pensei nisso, iniciei no esporte por hobbie, por paixão aos cavalos, que só vem aumentado com o passar do tempo. Com os anos, conquistei provas importantes que me levaram, juntamente com o meu pai, a optar em profissionalizar mais o esporte, investindo em infra-estrutura, cavalos, treinamento meu e dos cavalos, tudo por volta de 2002-2003. Os resultados que vieram a seguir foram conseqüências de esforços e privações, como sempre ocorrem quando você se dedica muito a algo, independendo do que for.

O enduro vem mudando muito. Mudam as provas, os enduristas, os cavalos, as velocidades...Desde que iniciou no esporte, qual é a mudança mais evidente para você?
Acho que não só para mim, mas para todos, a velocidade foi a principal mudança. Hoje as provas estão mais rápidas, com velocidades nunca antes imaginadas, isso se deve ao melhor condicionamento dos cavalos, dos treinamentos e genética. Porém é preocupante como algumas pessoas vêm utilizando animais muito jovens em provas de longa distância, o que pode diminuir a sua vida esportista. Creio que os cavalos devem iniciar em provas de regularidade para que se crie uma base física e psicológica para as provas de grande quilometragem, assim serão mais maduros. Essa é a minha base de treinamento e preparação dos meus cavalos.
Mas é claro que cada um tem uma finalidade com o esporte, uns é se sustentar. Graças a Deus eu posso fazer isso por paixão, sempre vou dar o máximo de mim, mas em primeiro lugar o cavalo.

Esse ano já não será mais Young Rider. Esta categoria te deixará saudades? Porquê?
Não tem como não ficar com saudades. Aprendi demais nesses anos, não só eu, mas acho que principalmente meu pai. O fato de sermos jovens e de não estarmos envolvidos com burocracia e outros problemas que todo o esporte tem, as amizades são mais fáceis. Há uma união de todos para juntos alcançarmos um objetivo comum. Mesmo nas provas mais importantes e que requer muita concentração os jovens sempre sabem fazer tudo ficar mais leve, principalmente quando os pais estão longe.

Quais as experiências como Young Rider que não irá esquecer e o que fica?
O Mundial de Bahain. Acho que foi a prova mais difícil que já fiz. Além dos obstáculos físicos, como o fato de estar fora do país, o cavalo estar desconfortável, tem todo o psicológico por trás. 150 cavalos juntos, largando de uma só vez em uma reta que não tem fim e ainda por cima tudo escuro. Acho que nunca me senti tão perdida quanto naquele momento. Mas o último anel da prova compensou, nunca tive tanta adrenalina no sangue por tanto tempo, ainda mais com um francês correndo do meu lado o anel inteiro.
Quando percebi que o cavalo dele cansou e não me acompanharia mais, eu não sabia de ria ou se chorava de felicidade, nunca me senti tão orgulhosa de mim mesma, dei tudo de mim e do Pimentinha e sabia que ele estava feliz tanto quanto eu.
De YR ficará saudades sempre, mas principalmente mais amor ao esporte e a cada um dos meus cavalos. Mais vontade, pois aos olhos do mundo Young não é tão valorizado quanto o Adulto, por isso mais vontade e esforço para continuar a fazer o esporte e mostrar pra mim que posso conseguir ir mais longe, é só querer.

O que espera agora na categoria adulto? Você acha mais difícil chegar a resultados de ponta?
Sempre que você muda para uma categoria acima da sua, significa que ela é mais difícil, principalmente nesse caso onde todos os esportistas que o praticam há muitos anos estarem todos juntos. Porém, quando comecei no esporte, achava que eu nunca iria agüentar fazer 120 km, mundial então... lembro que até dava risada de medo quando o meu pai e o Gerson falavam. Mas eu consegui muito mais do que isso. Difícil sempre será, mas acho que se lutarmos pelo o que queremos podemos superar os obstáculos, querendo ou não, novidades sempre dão um ânimo a mais.

Quais as metas para 2008?
Quero principalmente testar todos os meus cavalos nas provas de 160Km e batalhar para as vagas do Mundial na Malásia e o Panamericano do Uruguai em 2009. Quero me situar no ambiente de adulto e conhecer todos, agora como companheiros de provas e não só companheiros de trilhas.

Dos cavalos que monta, algum é mais especial? Por quê?
Acho que não é novidade pra ninguém. O Pimentinha, vulgo Pi como todos sabem, começou nas provas de regularidade comigo e hoje estou tentando a vaga para o mundial de 160Km com ele. Acho que não há nada no mundo que me dê mais alegria do que montar ele, poder vê-lo no pasto e dar um montão de manga.
Eu sei que ele sabe o quanto é importante para mim e a relação que tenho com ele chega até a ser engraçada; no ano passado eu fiz uma tatuagem para ele porque a quantidade de obstáculos desconhecido para ambos que superamos dificilmente terei com outros. Hoje sou mais madura no esporte graças a Ele.
Porém não posso esquecer-me de todos os meus outros cavalos. Cada um tem a sua característica particular e é gostoso ver como eles são tão diferentes e tenho uma relação muito particular com cada um. Com cada um deles fiz grandes provas, não só bonitas, mas que me trouxeram resultados que provaram que não sou amazona de um cavalo só como o Faruk, Pimpinela, Perla e Shahmillah.

Quais as pessoas no meio do enduro que para você são importantes e que não podem faltar?
Pai igual ao meu não se faz duas vezes. A gente se mata a cada prova, mas tudo isso porque no fundo agente se ama muito e estamos sempre querendo o melhor, afinal trabalhamos juntos para que tudo ocorra como queremos. Todos os dias antes de dormir agradeço por tudo o que ele faz por mim, mesmo com esse pouco tranqüilo dele, afinal eu sei de quem puxei tamanha ansiedade.
O Gerson foi um anjinho em nossas vidas, afinal precisávamos de um médico para tomar conta desse hospício. Ainda bem que há alguém calmo nesse mundo, se não eu estaria perdida. Ele é quem me aguenta em véspera de provas que não quero nem olhar para o meu pai, assim como o Ney e o Cláudio, afinal agüentar alguém que reclama e é agitada que nem eu, não é fácil, principalmente nas vésperas do Mundial na Argentina e do Pan agora em Campinas. Não posso esquecer o Robson que foi um grande ombro para mim em Bahain.

Você segue algum cronograma antes das provas? Faz treinamentos?
Todas as provas tem o seu cronograma de treinamento, leves e pesados e tento participar de todos, acho fundamental. Fora isso, também me preparo fisicamente com musculação acompanhada de profissionais.

Malásia? O que você pensa e o que quer?
Eu acho que Malásia pode ser uma grande chance para a equipe de adulto brasileira, afinal correremos em condições climáticas favoráveis, além de contar que os Europeus sairão do inverno deles para fazer uma viagem assim como os nossos cavalos, para um lugar muito quente e com muita chuva.
Por isso é fundamental a seleção de uma equipe realmente capaz, com conjuntos de verdade. Se conseguirmos isso, acho que o resultado lá fora vem naturalmente. Quando se trabalha realmente por algo, não há como você não conseguir o que quer.

ENDURO... Minha Vida
ALGUÉM... Meu pai
ESTUDO... Do cavalo, fundamental.
UM CAVALO... Hahaha, Pi
UMA REFERÊNCIA NO ENDURO... Lica Leão
COR... Azul
DIVERSÃO... Estar com os amigos
FILME... Impossível um só. Mas os filmes do Poderoso Chefão e do Charles Chaplin são sensacionais.
LIVRO... Duas Paixões
UMA BEBIDA... Coquetel de Frutas, sem álcool
UM PRATO DE COMIDA... Sushi
UMA FRASE... Quanto mais ocupado é, mais tempo livre se tem