Publicação da Breeder Editora e Comunicação




André Vidiz está em Dubai e conta um pouco de sua experiência
"Os números aqui impressionam
. Na cocheira onde estou são treinados 200 cavalos"


André Vidiz fez parte da gama de jovens enduristas brasileiros que alcançaram conquistas maravilhosas para o Brasil. Desde 2007 ele integra a categoria Adulto e já de início mostra que não está para brincadeira, garantindo na sua primeira temporada o 1º lugar do ranking da CBH (Confederação Brasileira de Hipismo) e 10º do ranking FEI (Federação Eqüestre Internacional).
Mas para André não bastam às experiências das competições. Passando por Uruguai e agora Emirados Árabes Unidos, o jovem aprimora seu conhecimento com estágios e estreita sua relação com enduristas e amantes do esporte em todo o mundo.
Ele não pode afirmar que o enduro em sua vida é profissionalismo, pois não vive disso, mas garante que é muito mais que uma diversão.
Aluno de administração da Usp e com 22 anos, André iniciou no enduro aos 6 anos, mas aos 10 anos passou a montar em uma hípica e fazer salto, retornando ao enduro apenas aos 16 anos. Sua paixão por cavalos iniciou por volta dos quatro anos, reflexo dos passos do pai que gostava de montar.

Quais os resultados expressivos que já conquistou e qual tem marcou?
Já fui vice-campeão brasileiro YR, fiquei em 1 no campeonato francês YR e este ano ganhei o ranking CBH e fiquei em 10 no FEI (seria 6 caso a prova de Avaré tivesse contado pontos). Além disso ganhei 4 medalhas FEI pelo Brasil: ouro por equipes e prata individual em Pinamar, bronze por equipes no Bahrein e ouro por equipes em Campinas.
O que mais me marcou foi o campeonato francês YR, pois aprendi muito disputando um último anel ao lado de 4 franceses.


Você vê o enduro como diversão ou profissionalismo?
Eu não posso falar que é profissionalismo pois não vivo disso, mas com certeza é mais do que diversão. É uma atividade levada muito a sério e que tem um peso muito importante na minha vida.

Já fez muitas provas fora do Brasil. Dos lugares por onde passou, qual deles gostou mais de ver o enduro eqüestre?
Gostei muito da França, pela quantidade de cavaleiros, e do Uruguai, pela fixação das pessoas pela vitória.

Você esteve no Uruguai em um Centro de Treinamento. Como foi essa experiência?
No começo do ano passado, o Juan Miguel (filho do Pio) me convidou para montar uma prova no Uruguai e nesta prova surgiu o convite para passar um tempo com eles, treinando em sua propriedade (La Union). Depois do Panamericano passei um mês com eles. Foi muito interessante ver como é feito o trabalho de base para os Emirados. Além disso, todas as conversas com o Pio eram muito proveitosas e me deram outra visão sobre o esporte. Também tive a chance de conhecer melhor o Juan Miguel, que logo depois foi campeão em Compiègne, e o Juma, manager de uma das cocheiras do Sheikh Mohammed em Dubai, responsável pelos cavalos dele fora dos Emirados e 4º colocado em Aachen e 2º no último campeonato Europeu.

Foi deste convite que estendeu a idéia de ir para Dubai?
Foi, foi daí que surgiu o convite para esse estágio em Dubai. Durante o mês em que estive no Uruguai, o Juma passou uma semana lá, vendo como estavam as coisas. Ao final da viagem ele me convidou para conhecer o esquema de Dubai, de preferência próximo à Presidents Cup.

Apesar de estar em Dubai há poucos dias, o que está achando?
Estou achando muito interessante. O esquema é muito sério e profissional, é uma empresa. Além disso, os números impressionam: na cocheira onde estou - que é apenas uma entre várias do Sheikh Mohammed, além de existirem outras de outros Sheikhs - são treinados 200 cavalos.

Como tem sido os seus dias aí?
Todo dia vemos os trotes de todos os cavalos e montamos um deles de manhã. À tarde montamos outro e tratamos deles. Então todos voltam a casa, jantamos e conversamos sobre enduro. Hoje(15/02), iremos a Abu Dhabi e sábado (16/02) acontece a Presidents Cup.

Quanto tempo irá ficar?
15 dias

Têm em mente outros projetos?
Tenho. Além do mundial, pretendo montar cavalos brasileiros em Compiègne em 2008. Além disso, pretendo me aproximar cada vez mais de meus cavalos, para conhecê-los melhor.

Essas atividades fazem parte de sua estratégia de participação para o Mundial da Malásia?

Na verdade não tenho uma estratégia específica para participar da Malásia (com exceção de um planejamento de provas e treinos para qualificar os cavalos e tê-los em condição de correr a prova da melhor maneira possível caso eu seja selecionado). Todas essas atividades são oportunidades que surgem e eu tento fazê-las acontecer. São aprendizados que vão se juntando para que um dia - seja na Malásia ou não - eu possa correr um mundial com chances de vencê-lo.

O que pensa do mundial e qual é o seu objetivo com relação a ele?
Acredito que este mundal tem uma grande vantagem que é a de que todos os cavalos terão que viajar. Além disso, imagino que os critérios de qualificação da FEI diminuam a vantagem dos sheiks árabes. Não acredito que a dificuldade técnica da prova nos favoreça porque, apesar do calor, não estamos muito acostumados a provas a noite e na chuva, além disso, os europeus continuam tendo ótimos cavalos e sendo cavaleiros excepcionais. Meu objetivo é largar em condições de lutar pelo título, a partir daí muita coisa que eu não controlo pode me colocar em primeiro, décimo, vigésimo ou me eliminar.

Você treina para as provas? Faz algum tipo de preparo?
Eu treino todos os finais de semana e uma vez durante a semana. Assim monto entre 10 e 15 horas por semana. Especificamente para cada prova não faço nada de especial, apenas monto no Haras o cavalo que vou correr a próxima prova. Além disso, controlo meu peso para pesar 75kgs com sela.

Como vê o enduro no Brasil?
Eu vejo o Brasil com ótimos cavalos, assim como muitos países. No entanto, no Brasil - felizmente ou infelizmente - não se exporta muitos cavalos, o que nos faz ter um plantel muito forte. Eu também vejo cavaleiros empenhados e jovens, mas com experiência por já terem corrido fora do país diversas vezes e por terem participado de campeonatos mundiais e panamericanos. Acredito que se nos tornarmos mais competitivos, ou seja, aprendermos a arriscar um pouco mais, e mais próximos de nossos cavalos, seremos campeões mundiais em breve.

O que pensa dos cavalos e das provas que estão cada vez mais rápidas?
Penso que isso é um processo natural e inevitável. O esporte evolui, o conhecimento sobre o organismo do cavalo avança, surgem novos treinamentos e novas estratégias de prova. O papel dos veterinários é não deixar que isso se transforme em problemas para a saúde dos animais, pelo menos no que diz respeito às provas. De resto, os enduristas têm que aprender a acompanhar esta evolução, talvez fazer parte dela e liderá-la, e cuidar da saúde de seus cavalos ao mesmo tempo.

No final de 2007 André Vidiz e Mario Schioppa Neto tiveram a iniciativa de criar um blog de enduro eqüestre, chamado 64BPM. No blog, Vidiz publicou algumas estatísticas do ano de 2007, acompanhe:

Algumas estatísticas de 2007

No início do ano passado publiquei alguns dados que coletei e processei enquanto escrevia parte de um capítulo para o livro “O Enduro Eqüestre”. Estes diziam respeito à velocidade das provas, faturamento, número de provas, inscrições e à genética dos cavalos entre 2000 e 2006, olhando somente para as provas de longa distância (120kms ou mais). Passado um ano, atualizo esses dados e apresento o que ocorreu em 2007.

Número de provas e inscrições:
2007 teve 19 provas de longa distância, distribuídas em 9 eventos (num evento como, por exemplo, o Campeonato Brasileiro, houve duas provas: 120kms adultos e 120kms young riders), exatamente o mesmo número de 2006 (até então o recorde desde 2000). O Panamericano e o Campeonato Brasileiro foram considerados dois eventos independentes. A boa notícia é que o número de inscritos aumentou, de 224 para 261 (em torno de 16,5%), o que caracteriza o ano que passou como o com o maior número de inscritos em provas de longa distância desde 2000. A média de inscritos por prova e por evento também foi alta, a 3ª e a 2ª maiores, respectivamente, desde 2000.
O maior evento foi o campeonato Panamericano com 48 inscrições, seguido do Brasileiro com 45 e do Haras Endurance International, com 38. Se considerássemos o Panamericano e o Brasileiro como um só evento, este passaria a III Corrida dos Campeões, maior evento desde 2000 com 81 inscrições. Em relação às provas, a categoria adulto destes três eventos (Pan, Brasileiro e Haras Endurance) contou com 27 inscritos cada uma, sendo as maiores provas do ano.

Velocidade:
2007 bateu o recorde de velocidade em 120kms. A prova de young riders do Panamericano foi corrida a 20,8kms/h. O segundo lugar também aconteceu em 2007 e também no Panamericano: 20,7kms/h na categoria adulto. Até 2006 o recorde era de 19,39kms/h (no Campeonato Brasileiro Young riders de 2006). A média das velocidades vencedoras de 2007 ficou em 17,03kms/h, que supera os 16,54 de 2003, até então o ano mais rápido.
No 160 a prova mais rápida foi a de Avaré, vencida a 16,5kms/h. Em seguida aparece a prova de Brasília, a 16,21 e Campinas a 15,99. Os números ficam distantes do recorde de 2006 (18,32kms/h em Campinas), no entanto não se distanciam do 2º lugar (16,72kms/h em 2004).

Faturamento e preço de inscrição:
O ano de 2007 foi marcado por provas grandes e caras. O preço médio de inscrição subiu de R$ 393,00 (já inflacionado para valores de 2007) para R$ 591,00. Para isso contribuíram o status FEI de todas as provas e o Campeonato Panamericano (cuja inscrição custou US$ 500,00). Assim, 2007 bateu 2002 no preço médio da inscrição (R$ 418,00 em 2002, em valores atuais).
Como nos anos anteriores, provas mais caras contaram com mais inscrições. Sendo assim, o faturamento total do ano bateu o recorde de 2006 (R$ 165.120,00 contra R$ 95.500,00).
O maior evento foi o Panamericano (R$ 48.000,00 – maior valor desde 2000) seguido do Campeonato Brasileiro (R$ 25.200 – 5º maior faturamento desde 2000).

Pedigree:
Para o rankeamento de pais e garanhões as provas do Panamericano foram pontuadas como as do Campeonato Brasileiro, privilegiando-as em relação às outras provas. Para uma explicação mais aprofundada sobre o sistema de pontuação, consultar o estudo referente aos anos de 2000-2006.

Ranking de garanhões (todos os garanhões – até a 5ª geração – recebem pontos, privilegiando o pai sobre os avôs, avôs sobre bisavôs, etc) - ano 2007:
Aladdinn – 12192 pontos
Witraz – 10992 pontos
Bask – 9856 pontos
AF Don Giovani – 8992 pontos
Pepi – 8576 pontos

Com essa pontuação, Witraz supera Bask no ranking geral - 2000 a 2007 – em parênteses as posições ganhas ou perdidas em relação a 2006:
Witraz – 45420 pontos (+1 posição)
Bask – 44964 pontos (-1 posição)
Aladdinn – 44612 pontos (estável)
Morafic – 35232 pontos (+ 2 posições)
Nazeer – 34668 pontos (-1 posição)

Ranking de pais (apenas os pais dos cavalos recebem pontos) - ano 2007:
Pepi – 536 pontos
AF Don Giovani – 420 pontos
Polonez – 316 pontos
Ninjah El Jamaal – 288 pontos
Gran Giovani – 284 pontos

Com 2007, Pepi sobe 3 posições e encosta em Polonez - 2000 a 2007:
Polonez – 1620 pontos (estável)
Pepi – 1452 pontos (+3 posições)
Kibrit FA – 1260 pontos (-1 posição)
Ninjah El Jamaal – 1188 pontos (estável)
Almaden II – 1004 pontos (-2 posições)

http://64bpm.blogspot.com/