DIRETRIZES
PARA NORMATIZAÇÃO DO TRABALHO DE EQUIPES VETERINÁRIAS
EM ENDURO EQÜESTRE
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Tendo
em vista o contínuo crescimento do Enduro Eqüestre no mundo,
seja quantitativo como especialmente qualitativo se faz necessário
criarmos normas para uma melhor interação entre veterinários,
cavaleiros e organizadores.
Atribuições da Comissão Veterinária/Veterinário
Chefe/Delegado Veterinário durante uma prova de Enduro Eqüestre:
1-
A C.V. é diretamente responsável perante ao C.O. pela
integridade física e bem estar de todos os cavalos participantes
de um evento
2- Todos os assuntos de natureza técnica veterinária devem
ser decididos pela C.V. e devem ser levados ao conhecimento do C.O.;
3- A C.V. é responsável pela tomada de todas as medidas
necessárias para a prevenção e controle de doenças
infecto-contagiosas durante o evento;
4- A C.V. deve assegurar-se de que o C.O. tomou todas as medidas necessárias
e suficientes para o bom recebimento, atendimento e acomodação
dos cavalos antes da chegada dos mesmos ao local do evento, bem como
a existência de baias para isolamento, para coleta antidopagem
e instalações adequadas para tratamento.
5- A C.V. deve manter contato com os Veterinários de Equipes
e Particulares durante todo o decorrer do evento;
6- Nenhum membro da C.V. pode atuar como Veterinário de Equipe,
Particular ou de Atendimento durante um evento;
7- Caso seja necessário o uso de medicação proibida
em um cavalo durante o decorrer de um evento, a C.V. deve ser consultada
e deve ser obtida a autorização com o preenchimento do
Formulário de Autorização de Medicação.
O fato deve ser informado ao Presidente do Júri de Campo que
decidirá se o cavalo deve ou não seguir na prova.
8- A C.V. deve assessorar o Presidente do Júri de Campo na seleção
dos animais para a coleta de material para exame de controle antidopagem.
9- Caso um animal esteja tão gravemente acidentado que, na opinião
da C.V., deva ser sacrificado, o responsável pelo animal ou um
seu representante deve dar sua anuência. Contudo, se ninguém
estiver presente, a C.V, deve agir para evitar o sofrimento desnecessário
do cavalo. Esse animal deverá ser submetido à coleta de
material para controle antidopagem preferencialmente antes da eutanásia
ou, por motivos humanitários, após o sacrifício.
10-Em caso de morte de cavalo, este deverá também ser
necropsiado e coletado material para antidoping.
11- Em caso de maus tratos aos animais, observado diretamente ou através
de relatório do chefe veterinário da prova, deverá
avaliar a punição e/ou a eliminação do cavaleiro
da prova em questão.
Atribuições do Veterinário Chefe (Presidente da
Comissão Veterinária):
1-
Participar junto ao C.O.da programação das provas no que
diz respeito a:
a- determinação de limite máximo de batimento cardíaco
para cada categoria;
b- determinação do tempo da apresentação
dos cavalos para cada categoria;
c- determinação dos tempos de descanso obrigatório
para cada categoria;
d- determinação do número de veterinários
necessários conforme o tipo e dificuldade da prova.
e- determinação do melhor local para o Vet-Check (especial
atenção à linha de trote, quanto ao piso e dimensões),
2- Participar do brieffing para explicar detalhes sobre os assuntos
pertinentes à sua atuação, tecer considerações
que julgue importantes (temperatura x umidade, solicitar atenção
para determinado trecho da trilha, alteração de algum
item pré-estabelecido no programa, etc.) e esclarecer eventuais
dúvidas que possa haver por parte dos enduristas ou sua equipe
de apoio;
3- Avaliar a lista de veterinários sugerida pelo Comitê
Organizador e, em estando de acordo, convocá-los para a prova
estabelecendo a cada um a sua função e data e horário
em que devem comparecer ao local da prova;
4- Reunir-se com o C.O. (Delegado Técnico, membros do júri
de campo, Chefe dos comissários, etc.) na véspera da prova;
5- Reunir-se com os membros da Comissão Veterinária para
orientação e esclarecimentos sobre o decidido no programa;
6- Após a prova preencher e encaminhar o Relatório Veterinário,
em até 15 dias após o evento, à CBH.
Composição
de uma equipe veterinária
- Um veterinário Chefe,
- Um veterinário habilitado pelo Ministério da Agricultura
para controle de AIE e emissão de GTA,
- Um veterinário para coleta antidopagem,
- No mínimo dois veterinários para tratamento ou um veterinário
/30 animais em provas com número superior a 60 conjuntos participantes
mais estagiários graduados.
- Um mínimo de três veterinários para linha de Vet
ou um veterinário/15 animais em provas com número superior
a 45 participantes.
- A C.O. deverá sugerir nomes de veterinários em numero
50% maior que o numero necessário para a realização
da prova, para a posterior aprovação.
e- determinação do melhor local para o Vet-Check (especial
atenção à linha de trote, quanto ao piso e dimensões),
Plano de Habilitação de Veterinários para
Enduro Eqüestre:
Para
trabalhar em Enduro Eqüestre, o veterinário deve ser uma
pessoa calma, paciente, objetiva, firme e justa.
Deve ser bem humorado, gentil, educado e solícito. .
É dever do veterinário bem atender cavalos e cavaleiros/auxiliares
durante todo o evento sendo gentil ao exame clínico e atencioso
no esclarecimento, ao cavaleiro, sobre o exame realizado sem, entretanto,
ater-se com conversas longas desnecessárias. Deve orientar o
cavaleiro sobre como proceder para aumentar a segurança de seu
cavalo após cada vet-check e, caso julgue conveniente, mostrar
ao cavaleiro que a desistência pode ser uma forma importante de
preservar o cavalo para uma vida atlética futura longa e saudável.
Para
fazer parte de uma C.V., o veterinário interessado deve:
A- apresentar como qualificações:
1- Provas de Regularidade:
a- ser graduado em Medicina Veterinária e seu CRMV deve constar
do programa;
b- ter estagiado preferencialmente em clínica de eqüinos;
c- possuir e conhecer o Regulamento da modalidade, o Regulamento Veterinário
FEI e o Manual de Identificação de cavalos através
da resenha.
d- ter estagiado em, no mínimo quatro provas oficiais.
2- Provas de Velocidade Livre:
a- ser graduado em Medicina Veterinária há, no mínimo,
dois anos;
b- preferencialmente ter experiência e estar atuando na área
de clínica eqüina;
c- possuir e conhecer o Regulamento das modalidades, o Regulamento Geral
e Veterinário FEI e o Manual de Identificação de
cavalos através da resenha.
d- ter trabalhado em no mínimo quatro provas oficiais de regularidade,
e estagiado em quatro provas oficiais de velocidade livre.
B- ser aprovado pela Comissão de Padronização de
Vets CBH e será por eles orientado e monitorado durante o decorrer
de todo o evento.
C- manter-se atualizado através de palestras, cursos e congressos
relacionados a esta modalidade de esporte eqüestre.
D- em caso de não trabalhar em nenhuma prova no prazo de dois
anos, este deverá reiniciar o plano de habilitação.
Procedimentos padrão para Veterinários de Enduro Eqüestre:
O
objetivo da criação de tal metodologia é fazer
com que os exames sejam realizados de forma criteriosa, objetiva e consistente,
possibilitando aos veterinários, cavaleiros e público
em geral, um fácil entendimento dos procedimentos veterinários.
1-
Recebimento dos cavalos no local do evento por Veterinário habilitado
pelo Ministério da Agricultura para verificação
dos exames de AIE, GTA, Passaporte e Vacinas. Nesta ocasião será
realizado um primeiro exame clínico no intuito de identificar
eventuais animais portadores de doenças infecto-contagiosas.
Em havendo animais suspeitos, esses deverão ser encaminhados
a local separado dos demais.
2-
Primeira Inspeção realizada pelos membros da C.V. supervisionados
pelo Veterinário Chefe e por um membro do Júri de Campo.
Nessa inspeção será verificado novamente o passaporte
com especial atenção à identificação
do animal através da resenha, à idade e à vacinação.
A validade de selo, raça, pai e mãe deverão ser
verificados por pessoa indicada pela CBH que, ao haver irregularidade,
tem o poder de decisão sobre a solução do problema.
Na primeira inspeção serão avaliados os seguintes
parâmetros clínicos (Regularidade e Velocidade Livre):
- Freqüência Cardíaca;
- Freqüência Respiratória;
- Motilidade intestinal;
- Mucosas oral e ocular;
- Tempo de preenchimento capilar (TPC);
- Prega de pele;
- Sensibilidade muscular;
- Feridas e escoriações e
- Avaliação do trote.
Caso haja dúvida na avaliação do trote, o animal
deverá se reavaliado ao final das inspeções por
três veterinários ou ainda, se for de comum acordo entre
eles, imediatamente antes da largada da prova.
Após todo o procedimento acima, o animal deverá ser identificado
com o número do jaleco do cavaleiro na garupa.
3-
Inspeções Intermediárias e Final realizadas depois
de percorrido cada anel. Os parâmetros clínicos avaliados
serão os seguintes :
Regularidade e Velocidade Livre
- 1º pulso (dentro do limite máximo para cada categoria)**;
- Avaliação do trote;
- 2º pulso (Índice de Recuperação Cardíaca
– IRC);
- Auscultação intestinal;
- mucosas oral e ocular;
- TPC;
- Preenchimento jugular;
- Prega de pele;
- Sensibilidade muscular;
- Reflexo anal;
- observação geral (ferimentos, ferraduras, facis...)
Em caso de dúvida com relação ao trote, o veterinário
pode solicitar a reinspeção do cavalo antes da largada
ou solicitar votação que será realizada por ele,
um segundo veterinário e o veterinário chefe. Os votos
serão entregues a um Juiz de prova que terá a função
de comunicar o resultado ao cavaleiro.
Nos exames finais das categorias de Velocidade Livre, todos os animais
deverão ter a avaliação do trote feita por três
veterinários em sistema de votação.
Em caso de qualquer dúvida de outra natureza, os veterinários
devem sempre se dirigir ao veterinário chefe que, após
estar ciente do problema e, se necessário, ter examinado o animal,
dará a solução adequada.
4-
Inspeção noturna obrigatória , pelo veterinário
de tratamento , nas provas 3 estrelas e inspeção no dia
seguinte para liberação dos animais .
Aplicabilidade
As diretrizes
acima descritas entram em vigor no segundo semestre de 2008, nas provas
realizadas a partir de 01 de Julho 2008.
Durante o primeiro semestre, os diretores regionais e organizadores
devem procurar compor as comissões veterinárias de suas
provas nestes critérios. Na impossibilidade de adequação
pela mão de obra ainda não enquadrada, a comissão
veterinária da CBH devera fazer todo o esforço possível
para adequação e indicação de pessoal habilitado
de outros estados e mesmo com trabalho e suporte direto
Os organizadores devem submeter à aprovação da
C.V. Da CBH os nomes dos veterinários que comporão a comissão
veterinária que trabalhara nas provas homologadas pela CBH, descrevendo
currículo e experiência de cada um, num período
de 20 dias que antecede a prova.
Nas provas regionais as regras devem ser respeitadas, sendo dispensada
a previa autorização da CV da CBH, sendo obrigatório
o relatório do veterinário chefe para caracterizar as
futuras homologações
Os Estados que já dispõe de profissionais habilitados
e enquadrados nas diretrizes e normas devem, obrigatoriamente, compor
suas provas uma comissão veterinária com estes profissionais
a partir de agora.
Para as provas regionais o chefe veterinário devera encaminhar
relatório especifico ao presidente da CV da CBH. A implantação
do modelo deste relatório ocorrera ate 30 de Junho de 2008 pelo
presidente CV da CBH através de comunicação as
federações.
A aprovação do Plano de Qualificação de
Cavalos e Cavaleiros será aprovado apos reunião e sugestões
dos Diretores de Enduro Regionais que ocorrera no mês de Abril
2008 através de convocação especifica
Exceções a estas regras só serão aceitas
com aprovação conjunta das Diretorias Veterinária
e Enduro da CBH.
Estas diretrizes e normas entram em vigor imediatamente a sua comunicação
as Federações.
Olavo Maciel
Diretor
de Enduro da CBH