O
que é Enduro Eqüestre
A
palavra enduro é uma abreviação
de endurance, que em inglês é sinônimo
de resistência. O enduro eqüestre de competição é uma
modalidade esportiva originária do turismo eqüestre,
onde cavalo e cavaleiro devem percorrer uma trilha
com obstáculos naturais, demarcada em um tempo
pré-determinado,
ou em velocidade livre. Vence a prova o cavalo que
chegar ao final no menor tempo, ou no tempo mais próximo
do ideal, dependendo do tipo de regulamento utilizado. É praticado
em quase todos os países da Europa, na Oceania,
América do Sul, nos Estados Unidos, África
e Oriente Médio. O enduro eqüestre civil,
praticado atualmente, foi criado por Wendell Robie,
nos Estados Unidos,
em l955, através da Tevis Cup, a mais famosa
prova do mundo.

A
intenção era simular as viagens do Pony Express (correio
a cavalo americano), com o objetivo de cumprir 100 milhas (160 km) em
24 horas, em um único cavalo.Existem também competições
de até 300 km, realizadas em vários dias.
Esta modalidade assemelha-se ao Raid de cavalaria,
tática de guerra
universalmente empregada pelas cavalarias hipomóveis. Trata-se
de uma incursão rápida e surpreendente ao território
inimigo, com um grande contingente de tropa, que retorna imediatamente
após o ataque. Atualmente raid e enduro são considerados
sinônimos. Existem raids de até 750 km, que são
disputados durante 15 dias.
Na década de 60, o Enduro Eqüestre começou a ser praticado
na Austrália, tornando-se um esporte muito popular. Atualmente
este país também é um importante centro de pesquisas
na área da fisiologia desportiva eqüina. Inúmeros
trabalhos de acompanhamento de competições de enduro são
publicados periodicamente.
Em 1975, na França, foi idealizada a competição
de FLORAC - A Tevis Cup Francesa - que é considerado o mais belo
e difícil desafio a cavalo em um evento de um dia.
No
Brasil a primeira prova de enduro eqüestre aconteceu
em Tremembé, interior de São Paulo, em
8 de outubro de 1989, ocasião em que 25 conjuntos
largaram para cumprir um percurso de 60 km com velocidade
controlada de 12 km/h. Em 1994, uma competição
em Campinas/SP, reuniu 522 conjuntos em um evento registrado
no livro Guiness de recordes, como a maior competição
eqüestre de uma mesma modalidade.
Atualmente,
o enduro eqüestre é regulamentado por rigorosas
normas da FEI - Federação Eqüestre Internacional,
com a premissa de preservar a integridade física do animal, que é controlada
sistematicamente em postos veterinários denominados vet cheks,
instalados ao longo do percurso. Nas competições internacionais
oficiais, o percurso é de 160 km, dividido em seis etapas que
devem ser cumpridas em velocidade livre.
Nos vet cheks vários parâmetros são avaliados, tais
como: índice de recuperação cardíaca, grau
de desidratação, claudicações, entre vários
outros. Após o final de cada etapa, o competidor só recebe
a autorização de re-largada se todos os parâmetros
estiverem dentro da faixa de normalidade fixada pelo regulamento. Mesmo
após o término da competição, que é realizada
em velocidade livre, o exame veterinário é realizado para
a confirmação do resultado. O tempo limite para este exame é de
30 minutos após a chegada, e a freqüência cardíaca
não pode superar o limite de 64 bpm.
O
I World Eqüestrian Games, que reuniu seis disciplinas
diferentes - Adestramento, CCE, Volteio, Salto, Atrelagem
e Enduro - oficializadas pela FEI, foi realizado em 1990,
em Estocolmo, Suécia. Sagrou-se campeã a
equipe inglesa e a competição individual
foi vencida por uma amazona americana (Becky Hart) montando
um cavalo de 15 anos, que cumpriu o percurso (160 km) em
10h33 e média horária superior a 15 km/h.
Este campeonato é realizado de quatro em quatro
anos.
O
enduro é um esporte eqüestre fácil
de ser praticado, pois não exige em suas categorias
inferiores qualificação técnica
do cavalo nem do cavaleiro, podendo participar cavalos
de todas as raças, puros ou mestiços, desde
que tenham no mínimo quatro anos de idade. Não
há limite de idade para o cavaleiro, o que torna
o enduro um esporte familiar.
O Brasil já participa de competições internacionais
desde 1994, quando foi representado por quatro conjuntos (cavalo/cavaleiro)
na Holanda, por ocasião dos II WEGs. A cada dois anos também é realizado
o Campeonato Mundial de Enduro Eqüestre, da FEI.
A mais importante associação de enduristas
do mundo é a
ELDRIC - European Long Distance Rides Conference - que congrega associações
nacionais de países de todo o mundo e organiza de quatro em
quatro anos o seu campeonato mundial, bem como o campeonato europeu
da modalidade.
Atualmente, a ELDRIC pleiteia junto ao COI - Comitê Olímpico
Internacional -, a inclusão do enduro nas Olimpíadas.
No
Brasil, o regulamento de regularidade é semelhante ao regulamento
francês, que prevê qualificações sucessivas
em provas com trilha sinalizada e com velocidade controlada. As distâncias
elevam-se gradualmente em função das qualificações,
começando com provas de 30 km, até atingir distâncias
maiores que são corridas à velocidade livre. A CBH
promove anualmente o Campeonato Brasileiro da modalidade.
O
Brasil tem uma natural vocação para o
enduro eqüestre,
pois a enorme extensão territorial brasileira foi consolidada
sobre dorso de cavalos. O País possui uma tradição
eqüestre, um excelente criatório e abundância de
trilhas naturais (na Europa praticamente todas as trilhas para competição
e treinamento possuem trechos de asfalto), que nos proporciona condições
ideais para a prática deste esporte, reservando-nos um futuro
promissor, segundo os próprios dirigentes internacionais que
nos visitam periodicamente.
O
enduro eqüestre firma-se como esporte
hípico mais praticado
no mundo atualmente e como modalidade hípica desportiva que
mais conquista adeptos no Brasil.
TERMINAR
A PROVA É VENCER
O
enduro eqüestre, como categoria esportiva para competições
internacionais, foi reconhecido pela FEI – Federação
Eqüestre Internacional, em 1985, sendo realizado em
1986, em Pratoni del Vivaro, Itália, o primeiro
Campeonato Mundial. Desde então, alcançou
um desenvolvimento fulgurante dentro do esporte eqüestre
internacional tanto que o número de participantes
e provas triplicou nos últimos cinco anos.Verdadeiro
teste de conhecimento e entrosamento entre cavaleiro e
cavalo, o enduro tem como premissa básica a saúde
e as boas condições físicas do cavalo,
fator determinante e prioritário da participação
em competições.
O
cavaleiro/amazona cujo animal completa a prova com as
melhores condições físicas sai vitorioso, afinal
são 160 km de percurso árduo.O lema dos competidores
do enduro eqüestre em todo o mundo é: Terminar
a prova é vencer!
Na abertura oficial do VIII Campeonato Mundial
de Enduro Eqüestre,
realizado em 26 de agosto de 2000, na cidade de Compiègne, França,
o esporte teve o reconhecimento como disciplina olímpica pelo
secretário geral da Federação Eqüestre Internacional
(FEI), Michael Stone, por atender a todos os quesitos necessários
para se transformar em esporte olímpico. “O número
de competidores deste mundial superou o número de participantes
em todas as provas eqüestres das Olimpíadas de Sidney”,
declarou Stone.

Mais
de 40.000 cavaleiros, em 61 países, praticam e participam
de provas, o que dá uma idéia do crescimento e da popularidade
do esporte. Sem limite de idade, o esporte pode ser praticado por pessoas
de todas as idades, homens e mulheres, individual ou em equipe. O importante é o
conhecimento e a relação homem/animal/natureza.
Atualmente, assistimos um crescimento de adeptos
do esporte no Brasil nas várias categorias. Há provas livres de 30 e 160 km,
disputadas em condições de igualdade por todos. Um exemplo é a
participação cada vez mais crescente de artistas, atletas,
políticos e empresários.
UM
ESPORTE QUE PERTENCE ÀS MULHERES
Desde
sua primeira edição, em 1986, os Campeonatos
Mundiais de Enduro Eqüestre, categoria individual,
foram conquistados por mulheres, notadamente as norteamericanas:
1986 – Pratoni
del Vicaro, Italia
Cassandra Schuler, com Shiko’s Omar (EUA)
1988 – Front
Royal, Virginia, EUA
Becky Hart, com RO Grand Sultan (EUA)
1990
- Estocolmo, Suécia
Becky Hart, com RO Grand Sultan (EUA)
1992 – Barcelona,
Espanha
Becky Hart, com RO Grand Sultan (EUA)
1994 – Den
Haag, Holanda
Valérie Kanavy, com Pieraz (Cash) (EUA)
Neste mundial, a brasileira Lica Leão conquistou o 4º lugar
1996 – Fort
Riley, Kansas (EUA)
Danielle Kanavy, com Pieraz (Cash) (EUA)
1998 – Dubai,
Emirados Árabes
Valérie Kanavy, com High Winds Jedi (EUA)
2000 – Compiègne,
França
Maya Killa Perringérard, com Varoussa (França)
2002
– Jerez de la Frontera, Espanha
Sheikh Ahmed Bin Mohamed Al Maktoum, com Bowman (Emirados
Árabes Unidos)
2005
–Dubai, Emirados Árabes Unidos
Barbara Lissarrague, com Georgat (França)
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