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XII
Campeonato Brasileiro de Enduro Eqüestre
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Brasília
começou a ser desenhada em um sonho profético,
em 1883, na cidade de Turim, na Itália. O padre
salesiano Dom Bosco sonhou que uma grande civilização
nasceria entre os paralelos 15 e 20, localização
do Planalto Central Brasileiro. Patrimônio Cultural
da Humanidade, a capital do Brasil, conhecida mundialmente
por sua arquitetura, obra do genial arquiteto brasileiro
Oscar Niemeyer, sediou o XII Campeonato Brasileiro de Enduro
Eqüestre e a quarta etapa da FEI Emirates Endurance
World Masters Ride, em 12 de outubro.
A
largada e a chegada dos 152 conjuntos participantes na
prova aconteceram no Parque de Exposições
da Granja do Torto, localizado no final da parte norte
da cidade, fazendo divisa com o Parque Nacional de Brasília
e a residência oficial do ex-presidente Figueiredo,
e os vet checks intermediários aconteceram no Centro
CCAUEX, área do exército brasileiro.
Um
outro sonho também se concretizaria em Brasília.
Desta vez, guiado pela Padroeira do Brasil. No dia 12 de
outubro, com as bênçãos de Nossa Senhora
Aparecida, a endurista Maria Aparecida Gazola, a nossa
Cida, tornou-se Campeã Brasileira de Enduro Eqüestre.
Título que faltava em sua coleção
de títulos. Por três vezes quase chegou.
“Até que
enfim, consegui ser campeã brasileira. Depois de
12 anos praticando o enduro, conquistei o título.
Tinha a fama de ser campeã, mas não era.
A prova de Brasília foi um grande desafio. Eu tive
a oportunidade de participar em dois campeonatos Mundiais
e eles são desafios maiores que a prova de Brasília.
Na Holanda, a trilha tinha dunas, asfalto e praia. No Kansas,
teve pedras e pedras e a prova em Dubai foi no deserto”,
comenta ela.
Emoção
foi o que não faltou na chegada triunfante de Cida
Gazola e Epopeu Rach. A filha, Cecília, e a fiel
amiga e apoio, Paula, estavam esperando na linha de chegada
com os olhos cheios de lágrimas. E lá estavam
eles, Cida e Epopeu, confiantes na vitória. Mas
faltava o vet check final. Em sua plena condição
física, Epopeu Rach não desapontou. Os 123,1
km foram vencidos em 8:22:51, com velocidade média
de 14,69 km/h.
6:30
da manhã. O dia está claro e ensolarado.
17 conjuntos estão prontos para a largada no Parque
de Exposições da Granja do Torto. Todos com
um mesmo pensamento: vencer as dificuldades do longo dia
de calor intenso, com umidade abaixo dos 20%. São
123,1 km (FEI 2** – 31,7 km – 27,4 km – 22
km – 21 km – 21 km) de trilha pesada com piso
irregular. Chamada de trilha urbana, porque apesar de ser
no cerrado, paisagem típica local, ela proporciona
quase que o tempo todo uma vista total da cidade de Brasília.
O
clima de Brasília é Tropical de altitude,
com duas estações distintas: verão
com chuvas e inverno seco. De abril a setembro, devido à ausência
total de chuvas, a umidade relativa do ar atinge níveis
inferiores a 25%. Às 10 horas da manhã, os
termômetros marcavam temperatura de 40º.
Rosana
Rocha e Gran Naufalik é o primeiro conjunto a terminar
o primeiro anel de 31,7 km. Com velocidade média
de 17,47 km/h, o percurso foi completado em 1:48:52, seguido
de perto por Cida Gazola e Epopeu Rach, com média
de 17,46 km/h e tempo total de 1:48:56. Mesmo chegando
em segundo, Epopeu Rach rapidamente baixa os batimentos
cardíacos e é o primeiro e entrar no vet
check. O mesmo acontecendo nos anéis seguintes,
o que proporciona à Cida Gazola uma boa estratégia
de prova: desenvolver alta velocidade, quando necessário
e manter a liderança. As duas amazonas largam juntas
no segundo anel, porém Gran Naufalik é eliminado
no vet e Cida Gazola começa a definir a prova e
garantir a vitória.
“Nós
fomos a Brasília, eu e Epopeu Rach, ganhar a prova”,
comenta Cida. Além de pontuar para os rankings da
CBH e da FEI, ela está inscrita na FEI Emirates
Endurance World Masters Ride, representando o Brasil e
a América do Sul. Na primeira etapa do Masters,
realizada em Bragança Paulista, Cida e Epopeu chegaram
em primeiro lugar. Além do título de campeão
brasileiro, ela quer também sua segunda vitória
no Masters, para ser a primeira no ranking da América
do Sul.
Sete
conjuntos foram eliminados entre o segundo e o quarto anel,
ou seja, à medida que o calor aumentava, as dificuldades
de completar o percurso eram bem maiores. Na largada para
o quinto anel, mais três desistências e apenas
sete conjuntos largaram para terminar a prova.
Juan
Pablo Schiappaccasse, cavaleiro chileno e vencedor da segunda
etapa do Masters, realizada em Pirque, no Chile, também
quer a segunda vitória. O momento mais emocionante
do Campeonato Brasileiro foi proporcionado por ele. Juan
Pablo, montando Bárbaro (cavalo de Gregorio Diaz),
e Vilson Soares, montando Bodolay, disputam o quinto lugar
em um sensacional sprint no último quilômetro.
Por uma cabeça de vantagem, Vilson garante a colocação
no pódium.
“A
prova de Brasília foi muito diferente de Pirque,
porque aqui o inimigo número um era o calor. O primeiro
anel do circuito era bastante traiçoeiro, porque
apesar de ser fresco, as diferenças de altitude
eram consideráveis. No último anel, estava
bem adiantado dos demais, porém no pit stop, Bárbaro
recuperou rapidamente a freqüência cardíaca
e demorou para recuperar a freqüência respiratória
o que mês reduzir o passo. Neste momento, Vilson
Nunes e Gregorio Dias me alcançaram e no último
quilômetro tentei manter a posição,
mas, infelizmente, perdi por uma cabeça de vantagem”,
comentou Juan Pablo.
Dos
17 conjuntos que largaram, apenas 7 venceram as dificuldades
e terminam a prova. O pódium da prova FEI 2** ficou
assim: Bernardo Barcellos Tamm e Brahdo Tamm (14,21 km/h,
8:39:42), Mariana Cesarino Steinbruch e Horus MA (14,19
km/h, 8:40:30), Léo Steinbruch e Faysal (14,07 km/h,
8:45:07) – que recebeu o prêmio de Best Condition –,
Vilson Soares e Bodolay (13,12 km/h, 9:22:52), Juan Pablo
Schiappacasse e Bárbaro (13,12 km/h, 9:22:53) e
Gregorio Diaz e Guapo (13,09 km/h, 9:24:18)
Young
Riders
Dentre as categorias participantes, a mais disputada foi
a dos Young Riders, pois o resultado definiria os doze
cavaleiros que irão disputar uma
das seis vagas para compor a equipe brasileira que irá participar do
Campeonato Mundial de Young Riders, em Prattoni del Vivaro, na Itália,
em setembro de 2003. Com largada às 7 horas, 22 conjuntos saíram
para completar os 102,1 km, divididos em quatro anéis de 31,7 km, 27,4
km, 22 km e 21 km. Apenas 12 terminaram.
Apresentando
alto índice técnico e aproveitando o tempo
fresco da manhã, os jovens cavaleiros desenvolveram
velocidade média de trilha de 20 km/h, no primeiro
anel. À medida em que a temperatura aumentava, os
concorrentes baixavam a velocidade. O segundo, fizeram
em 18 km/h e o terceiro e quarto mantiveram 16 km/h.
Marcelo
de Abreu Pereira, montando Specks, com velocidade média
de 17,32 km/h e tempo total de prova de 5:53:39, terminou
em primeiro lugar, garantindo assim o título de
campeão brasileiro e uma das doze vagas. “A
sensação de ser campeão brasileiro,
com certeza, é a melhor possível. Essa prova
foi uma das mais importantes do ano porque muitos cavaleiros
estavam dispostos a lutar pelo título”, disse
Marcelo
Por
causa do ranking que servia para a pré seleção
dos 12 Young Riders para o mundial do ano que vem, alguns
cavaleiros necessitavam de boas colocações.
Marcelo sabia que a prova seria competitiva e não
esperava pela vitória, porque muitos dos participantes
estavam bem preparados e com excelentes cavalos, mas sempre
soube que sua montaria se enquadra neste grupo e que tinha
chances de tentar.
“Claro
que quando participo de uma prova deste nível, penso
em vencê-la, porém desta vez meu objetivo
era fazer uma boa corrida para não sair do grupo
dos 12 (estava em 4º lugar no ranking e terminou em
1º) e disputar uma das vagas para o mundial do ano
que vem”, declarou Marcelo. Nos dois primeiros anéis,
manteve-se em um pelotão intermediário, não
muito longe dos primeiros colocados, para não arriscar
muito e saber como seu cavalo reagiria ao calor e à baixa
umidade.
Com
o animal estabilizado, assume a liderança no terceiro
anel e abre uma diferença de 10 minutos dos demais
para poder fazer o último anel com tranqüilidade
e evitar uma disputa na chegada. “No último
anel, somente tive que administrar a vantagem de 10 minutos.
A prova foi muito dura, tanto pelo calor excessivo como
pela baixa umidade. A trilha tinha muitas pedras e chão
muito duro e a paisagem não era das mais bonitas,
mesmo porque o clima seco de Brasília faz com que
a vegetação seja diferente da que estamos
acostumados em São Paulo”, declarou ele
Além
do primeiro lugar, Marcelo de Abreu Pereira ganhou o best
condition. Specks tem 10 anos e é um puro sangue árabe
com muita experiência. No Mundial de Young Riders,
em Villacastin, ficou em 20º lugar, melhor resultado
da equipe brasileira.
Com
o resultado final do XII Campeonato Brasileiro, os 12 cavaleiros
pré-qualificados são os seguintes: Marcelo
de Abreu Pereira (Vermouth), Daniel Grande (C.Courage),
Mário Schioppa Neto (Perestroika), Pedro Mercadante
(Rações Guabi Liberdade), Igor Petric (Rações
Guabi Rider),Renata Taliberti (Garciela), Mariana Salles
(NA Instar), André Vidiz (HVP Layana), Newton Lins
de Noronha (NNL Zhest), Juliano Victor Rodrigues (NNL Sun
Ray), Cecília Gazola (Charlie Rach) e Ivan Milward
Andrade (HTA Baby).
1*
80,10 km.
A prova FEI 1*, com 80,1 km de percurso, dividida em três anéis
(31,7 km, 27,4 km e 22 km), foi a que apresentou o maior número de desclassificações.
Dos 21 conjuntos que largaram, na categoria Adultos, apenas sete terminaram.
Gabriela Marchese Cesarino, montando Isabelle, conquistou o título de
campeã brasileira e o best condition, em 5:13:45 e média de 15,51.
Pryscila de Rossi, com Ardenis, foi a vice-campeã, com tempo total de
prova de 5:28:07 e 14,83 km/h de velocidade média.
Apenas
um conjunto terminou as categorias Young Rider e Young.
Luís Fernando Varanda, montando Celanthem Hec, foi
o campeão da categoria Young Rider e Beatriz Salles
com Flash Gordon, da Jovem.
Dr.
Carlos Ponferrada, da Espanha, presidente da comissão
veterinária dos Mundiais de Young Riders (Villacastin,
2001) e Adultos (Jerez de la Frontera, 2002), foi o delegado
veterinário do XII Campeonato Brasileiro de Enduro
Eqüestre. Para ele, o enduro no Brasil está muito
evoluído e apresenta nível internacional. “Como
na maior parte dos países, o Brasil possui um nível
diferenciado de cavalos. Observei cavalos de primeira linha
de nível internacional, cavalos de segunda linha
que podem que podem competir a uma certa velocidade e melhorar
muito seu rendimento. É assim na Europa e Estados
Unidos. O que me chamou a atenção foram os
cavaleiros brasileiros que demonstraram ser autênticos
desportistas. Nenhuma das decisões dos veterinários
foram contestadas e todos se comportaram de maneira correta. É deste
tipo de comportamento que o enduro necessita hoje: cavaleiros
educados e todos contentes ao final da competição”,
declarou Ponferrada
Resultados
2** 123,1 KM – Adultos
17 largaram – 7 terminaram
Cida Gazola, Epopeu Rach, 14,69 km/h, 8:22:51
Bernardo Barcellos Tamm, Brahdo Tamm, 14,21 km/h, 8:39:42
Mariana Cesarino Steinbruch, Horus MA, 14,19 km/h, 8:40:30
Léo Steinbruch, Faysal, 14,07 km/h, 8:45:07
Vilson Soares, Bodolay, 13,12 km/h, 9:22:52
Juan Pablo Schiappacasse, Bárbaro, 13,12 km/h, 9:22:53
Gregorio Diaz, Guapo, 13,09 km/h, 9:24:18
2**
102,1 km – Young Riders
22 largaram – 12 terminaram
Marcelo de Abreu Pereira, Speks, 17,32 km/h, 5:53:39
Daniel Grande, C. Courage, 16,81 km/h, 6:04:28
Igor Petric, Califa Canchin, 16,71 km/h, 6:06:30
André Vidiz, Layana HVP, 16,08 km/h, 6:21:05
Priscila Dias La Rosa, Paiakan Kar, 15,99 km/h, 6:23:11
Mário Schioppa Neto, Baccarat FDC, 15,92 km/h, 6:24:46
Rodolfo Lauricella, Farouk, 14,96 km/h, 6:49:23
Mariana Salles, Big Shot, 14,94 km/h, 6:50:06
Ana Carla Maciel, Jakar, 13,98 km/h, 7:18:05
Fernando Nicoli, Lucky, 13,13 km/h, 7:46:29
Pedro Stefani Marino, WN Farah, 11,64 km/h, 8:46:08
Juliano Victor Rodrigues, NNL Frisson, 11,60 km/h, 8:48:13
1*
80,10 km – Adultos
21 largaram – 7 terminaram
Gabriela Marchese Cesarino, Isabelle, 15,51 km/h, 5:13:45
Pryscila de Rossi, Ardenis, 14,83 km/h, 5:28:07
Carlos Barcellos Tamm, Kalifa, 14,02 km/h, 5:47:03
José Henrique Abras, VD Chakal, 13,49 km/h, 6:00:48
Hamilton Espezin Filho, Léo Jahann, 12,67 km/h, 6:23:57
Marcos Pinto Lima, Jambo Mocoquense, 12,66 km/h, 6:24:21
Pedro Werneck, Cherry da Carolina, 12,30 km/h, 6:35:41
1*
80,1 km – Young Rider
8 largaram – 1 terminou
Luís Fernando Varanda, Celanthem Hec, 12,67 km/h,
6:23:00
1*
80,1 km – Young
4 largaram – 1 terminou
Beatriz Salles, Flash Gordon, 15,53 km/h, 5:13:00 |