Técnicas & Veterinária
Apoio
(ou Súplica do Carregador de Balde)
por Jorge Guenka

Na teoria pode até ser
viável, mas na prática é impossível
cobrar o escanteio e correr para cabecear. Ou você monta
ou então é apoio. Tentar montar e ser seu próprio
apoio só funciona em cavalgada. No enduro o apoio é fundamental,
só perde em importância para o cavalo. O apoio
pode até ser pago, o ideal é que ele seja um
membro da família ou um bom amigo, afinal, nas horas
críticas e/ou histéricas da prova alguém
tem de ter um pouco de discernimento e intimidade suficiente
para mandar você baixar a bola, mas acima de tudo ele
deve gostar de enduro, quem sabe até tanto quanto você.
Até ganhar experiência e aprender a lidar com
tudo que envolve uma prova, o apoio deveria, se possível,
dar suporte a vários cavalos e cavaleiros de personalidades
diferentes, pois isso fará com que o aprendizado seja
mais sólido, uma vez que ele lidará com todo
tipo de cavalo, e principalmente com a vaidade de cavaleiros
diferentes. Somente com o tempo ele terá a experiência
necessária para saber como resfriar um cavalo corretamente;
fazer a verificação de batimento cardíaco
e da respiração; escutar sons do intestino
e aprender a rotina geral de um vet check. É fundamental
você ensiná-lo a importância da recepção,
ou seja, mostrar ao seu apoio que você dá muito
valor ao avistá-lo na chegada de cada anel ou Pit!
Para você ter sucesso em uma prova, comece convencendo
seu apoio de que é muito DIVERTIDO passar o dia todo,
e parte da noite, sujo e molhado, e que carregar pesados
baldes de água prá cima e prá baixo é edificante,
mas acima de tudo mostre o quanto ele é valioso e
fundamental prá você.
O trabalho do apoio se resume ao cavalo e ao cavaleiro,
mas não é tão simples como pode parecer.
O apoio deve controlar o tempo de chegada e de relargada
do cavaleiro, estar presente nas chegadas, receber o cavalo,
cuidar para que o resfriamento seja feito adequadamente,
conhecer profundamente o cavalo, saber como ele gosta de
ser molhado ou se não gosta, providenciar para que
toda a indumentária seja levada para a barraca da
equipe, controlar os batimentos do cavalo e decidir em conjunto
com o cavaleiro a melhor hora de apresentá-lo à equipe
veterinária.
O apoio deve assegurar que o cavaleiro coma, beba e descanse,
enquanto ele providencia que o cavalo seja alimentado, lhe
seja colocado gelo nos membros, fornecido eletrólitos
e outros suplementos, e, ainda, efetua todos os procedimentos
para a relargada; verificar o encilhamento, certificar-se
que o cavaleiro esta devidamente aparelhado – luvas,
capacete, colete, cantis de água cheios e tudo o mais
que ele possa precisar na trilha. O trabalho do apoio começa
bem antes do início da prova, quando ele coloca a
ração de madrugada, providencia, quando necessário,
o eletrólito uma hora antes da largada, encilha o
cavalo e não raramente o aquece e só acaba
quando ele embarca o cavalo no final da prova e certifica-se
que os protetores de viajem foram bem colocados.
Voltando à prova, após a partida do cavaleiro,
o apoio começa a preparar tudo novamente, para que
quando da chegada do conjunto, tudo esteja à mão
e pronto; gelo, cabresto, raspadores, linimentos, regadores,
comida para cavalo e cavaleiro, e tudo o mais no seu devido
lugar.
O apoio deve discutir o tempo estimado da chegada com o cavaleiro,
mas deve estar pronto aproximadamente 20 minutos antes do
tempo cronometrado no ponto de recepção, apenas
para o caso do cavaleiro fazer um tempo melhor do que o estimado.
Normalmente o cartão é responsabilidade do
cavaleiro, mas o apoio deve estar atento a esse detalhe,
pois de nada adianta o cavalo estar pronto para ser apresentado
se o cartão não aparecer.
Do ponto de vista do cavaleiro, assim que cruza a linha
de chegada, o apoio deve desencilhar o cavalo, levá-lo
a beber água, resfriá-lo, verificar se existem
pedras nos cascos, ..... CALMA !!!!!! Isso não é responsabilidade
só do apoio!!! A equipe, cavaleiro e apoio devem cuidar
juntos do personagem principal desse esporte: O Cavalo. O
fato de você chegar ao primeiro vet com a adrenalina
transbordando, não significa que seu apoio já esteja
no mesmo nível de adrenalina que você, talvez
ele ainda esteja meio fora do ritmo da prova, nesse caso
contenha-se em gritar com ele porque se esqueceu de algo
- as coisas mais importantes estarão lá de
qualquer maneira; a água e o cavalo. Não seja
rude com ele só porque você está cansado
e tenso – ele está lá para ajudá-lo
e se você persistir em ser rude, ele pode abandoná-lo
a sua própria sorte, e daí de nada vai adiantar
querer cabecear para fazer o gol se não tiver ninguém
para cobrar o escanteio perfeito.
Jorge Guenka é carregador
de balde da equipe Rancho Tree. |