Técnicas & Veterinária
A importância do casqueamento
por José Ocimar de Oliveira

A parte distal do membro locomotor eqüino é uma estrutura única entre as espécies domésticas. O casco está sujeito a fortes esforços mecânicos e com freqüência tem que ser examinado, aparado e ferrado. Na maioria das vezes a performance do cavalo pode ser favorecida ou prejudicada totalmente, dependendo da condicão de seus cascos e/ou aprumos.

O casqueamento dos eqüinos vem evoluindo muito com o passar dos anos. Embora em alguns meios de criação ainda sejam tomadas decisões errôneas com relação ao que deve ou não ser feito para ajudar os animais em sua locomoção, em geral, o criatório nacional melhorou muito a qualidade dos aprumos dos cavalos em função do trabalho de casqueamento, direcionado tecnicamente, na tropa desde muito cedo.

Hoje, por exemplo, é sabido que em potros com desvios de alinhamento ósseo severo é possível com trabalho corretivo conseguir ótimos resultados já a partir do décimo quinto dia de vida.

Em geral, o trabalho de casqueamento começa para os demais animais (aqueles que não apresentam desvios severos) a partir do segundo mês de vida, limpando a sola sem retirar material demais para não torná-la sensível.

A ranilha nesta idade praticamente não deve ser cortada. É aconselhável retirar somente as partes que estiverem soltas, pois a ranilha além de fazer parte do sistema de amortecimento e expansão do casco, ainda contribui para o perfeito funcionamento do fluxo sangüíneo - desta forma promovendo o crescimento saudável do casco.

O corte no excesso de muralha é feito para retirar somente aquela faixa de crescimento, sem cortar a sola e deixando material para as correções de alinhamento ósseo a serem feitas posteriormente. Isto feito (as correções), conclui-se arredondando a borda toda da muralha do casco, evitando assim que o mesmo venha a quebrar, pondo a perder as correções que foram feitas.

Já a partir do sexto mês as cartilagens das articulações, que até então são macias e em formação, começam a "fechar" de vez, isto é, estão praticamente formadas e o alinhamento dos ossos está se solidificando. Até cerca de um ano é possível fazer algumas correções, mas as intervenções nos primeiros seis meses possibilitam melhores resultados.

Para os animais com mais de um ano de vida devemos respeitar os aprumos, tortos ou não, porque qualquer tentativa de correção somente irá causar desconforto e dor, comprometendo as articulações e a vida útil do cavalo, tanto como atleta como até para utilização em passeios.

Os cavalos devem ser ferrados, em situações normais, a partir da doma, que é quando eles começam a ser submetidos ao esforço. O trabalho de doma provoca um desgaste além do normal nos cascos e o ferrageamento então, deve ser feito de forma a evitar o desgaste e ajudar a movimentação do animal, melhorando a performance.

É muito importante que este trabalho todo seja feito por um profissional experiente, que esteja atualizado e tenha recursos tanto de ferramentas como de materiais artificiais, os quais darão um suporte extra ao trabalho de casqueamento.

Para outras informações, disponibilizo o e-mail: oata@uol.com.br


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