| Técnicas & Veterinária
Claudicação - Revisandio o aparelho locomotor
por Diogo Truiti
O
pé constitui, no cavalo, a estrutura anatômica
e funcional mais complexa do aparelho locomotor. Pode ser
considerado como centro de sustentação do corpo
durante o repouso, e base de propulsão da locomoção
nos membros anteriores, recebendo desta forma toda resultante
do trabalho muscular e tendíneo sob a forma de força
de pressão e torção.
Os eqüinos em geral são propensos a acidentes
e, freqüentemente, se machucam devido á sua força
física, tamanho e temperamento. Esses acidentes podem
ser oriundos de embarque e desembarque, cocheiras inadequadas,
assim como as várias atividades atléticas,
onde a capacidade do animal é exigida ao máximo.
Os
traumatismos afetam principalmente os locomotores e o primeiro
sintoma é a claudicação (manqueira).
As causas mais comuns são: pedra entre a ferradura
e a sola, cravo mal pregado (principalmente por dentro
da linha branca), desgaste com ferimento da sola, em animais
desferrados, devido à falta de concavidade da sola
e ausência de muralha de sustentação
(casco raso); ferraduras encostando-se à sola; necrose
da ranilha ou casco com broca; doença do osso navicular;
laminite (aguamento); calcificações, estiramento
de tendões e ligamentos e feridas em geral.Uma atitude
bastante útil é a retirada das ferraduras
quando o cavalo aparece manco e apresenta os cascos excessivamente
quentes e com pulso digital.
Essa manobra evita que um simples hematoma de sola ou uma
broca, possa evoluir para um caso muito mais grave de manqueira,
ou seja, um aguamento.
A claudicação pode ser definida como uma anormalidade
no andar. Sob circunstâncias normais, isso se aplica
a lesões dolorosas, mas não está claro
onde devem ser incluídos os distúrbios caracterizados
por incoordenação, defeitos específicos
de nervos ou rigidez articular, não associados à dor.
Gradação das claudicações
de acordo com a sua gravidade
- Grau 1: A claudicação é vista quando
o cavalo está trotando, mas não quando está caminhando.
- Grau
2: A claudicação é percebida ao
caminhar, mas não é percebida ao caminhar,
mas não há movimento óbvio da cabeça.
- Grau
3: A claudicação é óbvia
ao caminhar, e há movimentação óbvia
da cabeça.
- Grau 4: O cavalo não pode agüentar
peso no membro afetado.
Movimentação da cabeça no cavalo com
Claudicação
Claudicação de membro torácico. A cabeça
do cavalo é abaixada quando o membro são toca
o solo (inversamente, a cabeça é elevada quando
o membro afetado toca o solo).
Claudicação de membro pélvico. A cabeça
do cavalo é abaixada quando o membro afetado o solo
e vice-versa (observe que essa é uma situação
oposta à vista em respeito ao membro pélvico).
Claudicação bilateral. Levantar e abaixar
a cabeça estão ausentes quando pesos iguais
são colocados em membros igualmente doloridos.
Exame visual com cavalo em repouso
A primeira parte do exame é uma avaliação
visual cuidadosa com o cavalo em repouso, realizada antes
da palpação ou manipulação. Esse
exame avalia a conformação e detectará tumefações
anormais, atrofia muscular, deformidades, presença
de cavidades ou fístulas, cicatrizes e posturas anormais
como repousar a frente de um casco no chão (apontamento).
Exame
Visual durante o exercício
Andar durante o exercício.
O cavalo deve ser examinado enquanto está em movimentação.
Deve ser lembrado que cavalos são usados para propósitos
muito variados, e que muitos casos de claudicação
são associados a um tipo particular de uso e podem
ser evidentes apenas quando o cavalo entrar em atividade. Embora
muitos tipos de claudicação possam
ser vistos enquanto o cavalo está caminhando ou trotando,
freqüentemente é necessário fazer o cavalo
movimentar-se mais rápido e observá-lo enquanto
realiza seu trabalho normal. Para cavalos acostumados a trabalhar
em volta em volta de uma rédea longa (lunging ring),
pode-se alcançar o galope reunido (canter), mas, para
o galope, é necessário o espaço mais
amplo e seguro de uma pista de corrida ou área semelhante,
com o cavaleiro na sela.
Pinça de Casco
As pinças de casco são
instrumentos indispensáveis
para detectar dor e são extremamente úteis
para indicar o local exato da dor, permitindo que o tecido
sobrejacente seja removido para aliviar a pressão
(hematoma) ou estabelecer drenagem (abscesso). Pressão
excessiva é dolorosa e pode causar uma reação
de dor falsamente positiva. Eles devem sistematicamente ser
aplicados sobre o casco. Palpação e Manipulação
A palpação e manipulação verificam
a dor na região e detectam a crepitação
associada à fratura da primeira e segunda falanges.

 Estruturalmente,
o pé é constituído
por ossos, ligamentos, tendões, vasos sanguíneos,
vasos linfáticos, nervos e casco. Os cascos formam
a parte inferior extrema dos membros do cavalo e constituem
parte dos pés do animal. São formados por
um invólucro córneo que protege parte da
falange intermédia, falange distal e o osso sesamóide
distal ou osso navicular.
Referências Bibliográficas:
Exame Clínico de Eqüinos / Victor C. Speirs;
Trad. Cláudio Barros. – Porto Alegre: Editora
Artes Médicas Sul Ltda, 1999. Enfermidades
dos cavalos / por Armen Thomassian. – 3.
Ed. – São Paulo: Livraria Varela, 1996.
Diogo Truiti, Curitiba-PR.
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