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Técnicas & Veterinária
Fibras musculares: aptidão atlética diagnosticável por tipagem
por Fernando Gondim

A velocidade e a força de contração musculares dependem da quantidade de fibras musculares ativas, e de suas propriedades contráteis e metabólicas. A molécula de meromiosina pesada (MHC – miosyn heavy chain), constituinte do filamento grosso, é a proteína miofibrilar predominante no músculo esquelético. Sua estrutura é responsável pela ação mecano-química de encurtamento do sarcômero, que resulta na contração muscular. A velocidade máxima de encurtamento de uma única fibra muscular está correlacionada com as isoformas (diferentes tipos de proteína) de MHC que predominam nas fibras musculares. Como as fibras musculares diferenciam-se basicamente em sua velocidade de contração, todo o metabolismo intracelular, desde o substrato energético até o peso das moléculas de miosina, é diferente.

Em mamíferos foram caracterizados três tipos funcionais básicos de fibras musculares: Fibras de contração lenta, oxidativas; fibras de contração rápida, oxidativas e glicogenolíticas; e fibras de contração rápida, glicogenolíticas.

As fibras oxidativas consomem glicose e ácidos graxos através de metabolismo aeróbio. As fibras glicogenolíticas consomem exclusivamente glicose através de matabolismo anaeróbio. A concentração destas isoformas dentro de cada fibra determina sua tipologia. As fibras do tipo I, oxidativas, possuem uma velocidade de contração lenta e são capazes de se contrair repetidamente com uma força moderada. Utilizam preferencialmente ácidos graxos como fonte de energia. São muito resistentes à fadiga. Elas expressam a isoforma I da proteína miosina (MHC I). Por outro lado, as fibras do tipo II tem uma contração rápida, com um desenvolvimento de força muito maior, mas por pouco tempo. São ricas em glicogênio e subdivididas em IIA e IIX. As fibras IIA são oxidativas e glicogenolíticas. Sua contração é rápida e sustentável por um razoável período de tempo. Elas expressam a isoforma protéica IIa (MHC IIa).

As fibras IIX são exclusivamente glicogenolíticas. Sua contração é rápida, mas elas não conseguem sustentar esta contração por muito tempo. Elas expressão a isoforma IIx (MHC IIx). Uma grande porcentagem de fibras musculares expressam mais de uma isoforma de MHC. Estas fibras são denominadas fibras intermediários, ou híbridas. As fibras intermediárias entre as do tipo I e as IIA são denominadas IC e IIC. As fibras intermediárias entre as IIA e IIX são denominadas IIAX e IIXA. Estas denominações descrevem diferentes porcentagem de cada isoforma em uma mesma fibra híbrida. A fibra IC possui mais isoformas I que II, enquanto que a IIC possui mais isoformas II. As fibras híbridas representarm estágios intermediários de um processo de transição, que pode ser estimulado pelo treinamento ou detreinamento, ou pelo envelhecimento.

Estas fibras correspondem a uma verdadeira especialização individual, essencialmente genética, mas passível de modificações induzidas pelo treinamento. Entretanto, a capacidade máxima de interconversão entre os diferentes tipos de fibras é limitado, e depende de um adequado estímulo. Desta forma, o estímulo adequado pode fazer uma fibra muscular, inicialmente adaptada para a contração rápida passar a expressar isoformas de contração lenta, tornando-se de contração lenta, e vise-versa.

A tipificação muscular em eqüinos já é realizada há algum tempo, através de biópsia e posterior análise laboratorial por diferentes técnicas. Em nosso laboratório na UNICAMP utilizamos duas técnicas. Uma histoquímica, onde tipamos, contamos e medimos individualmente cada fibra, e outra bioquímica, onde separamos por eletroforese os diferentes tamanhos (tipos) de miosina (MHC). As duas técnicas são complementares. Entretanto, do ponto de vista da aplicabilidade, a bioquímica é precisa, rápida e economicamente viável.

A utilização desta metodologia pode e deve ser utilizada para escolher cavalos com aptidão atlética para enduro. Quanto maior for a porcentagem de isoformas dos tipos I e IIa, melhor poderá ser seu desempenho em longas distâncias.

Treinados
Não Treinados
01
02
03
04
05
06
07
%a
01
02
03
04
05
06
07
% a
%IIA
63
43
72
52
53
57
69
59
57
55
42
51
48
62
36
50
%IIX
10
42
10
23
04
12
07
15
13
07
28
25
25
12
39
21
%I
27
15
18
25
43
31
24
26
30
38
30
24
27
26
25
29
I+IIA
90
58
90
77
96
88
93
84,6
87
93
72
75
75
88
79
81,3

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