Técnicas & Veterinária
“Flutter” sincrônico
diafragmático (FSD)
Gabriela Soares de Moura
O Flutter sincrônico diafragmático tem sido
relatado em cavalos submetidos a exercícios de longa
duração, causados por desequilíbrios
eletrolíticos ocorridos em provas de enduro. Isso
ocorre principalmente sob clima quente e úmido, quando
grandes quantidades de líquidos e íons são
perdidos e a função termorregulatória
está prejudicada (CARLSON, 1985; REED & BAYLY,
1998).
O FSD é uma contração espasmódica
do diafragma, sincrônica com os batimentos cardíacos
(GEOR & McCUTCHEON, 1996).
O sinal primário de FSD é um movimento rítmico
ou “tic” do flanco que é sincrônico
com os batimentos cardíacos. A contração
do diafragma coincide com a despolarização
atrial. É freqüentemente unilateral e pode ser
sentida com a mão e em alguns casos, pode ser audível
(GEOR & McCUTCHEON, 1996). Atonia intestinal pode estar
presente, provavelmente devido a hipocalcemia e perda de
eletrólitos (CARLSON, 1985).
O “flutter sincrônico diafragmático” está relacionado
a hiperirritabilidade do nervo frênico causado por
distúrbios metabólicos incluindo hipocalcemia.
Alterações no balanço ácido-base
e eletrolítico pode alterar o potencial de membrana
do nervo frênico, resultando em descarga espontânea
na resposta para o impulso elétrico produzido pela
despolarização atrial (GEOR & McCUTCHEON,
1996). Os cavalos de enduro normalmente apresentam hipocloremia,
hipocalcemia, hipocalemia e hipomagnesemia (CARLSON, 1985).
A diminuição na concentração
de cálcio ionizado com conseqüente diminuição
do limiar de despolarização dos nervos pode
ser vital para o desenvolvimento do FSD. Essa ionização é causada
pela alcalose, contribuindo desta forma, para a hiperirritabilidade
do nervo frênico (McCONAGHY, 1994). O FSD pode estar
associado com a síndrome exaustiva e os animais apresentarão
desidratação, hipovolemia e hipertermia (GEOR & McCUTCHEON,
1996).
Em muitos casos o problema resolve espontaneamente após
o término do exercício. Se o FSD persistir
pode ser necessário o tratamento com fluidos contendo
cálcio por via intravenosa. Nos cavalos desidratados, é necessária
a administração de fluidos isotônicos
por via oral ou venosa (GEOR & McCUTCHEON, 1996).
A administração de eletrólitos durante
exercícios prolongados ajuda a reduzir o risco de
recorrência do FSD. McCONAGHY (1994), descreve a possibilidade
da ocorrência do FSD crônico; podendo ocorrer
devido a alterações anatômicas ao redor
do nervo frênico, como as aderências e fibrose
secundária a pleuropneumonia.
Gabriela Soares de Moura
Médica Veterinária, com especialização
em cavalos atletas pela Universidade Federal de Viçosa;
Endurista e proprietária do Rancho Tree - Treinamento
e Reabilitação Esportiva Eqüina - em Brasília – DF.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
CARLSON, G. P. Medical problems associated with protacted
heat and work stress in horses. Compend Cont Educ Pract Vet,
v. 7, n. 9, p. 542-550, 1985.
GEOR, R.J. & McCUTCHEON, L. J. Thermoregulation and
clinical disorders associated with exercise and heat stress.
Comp. Contin. Educ. Pract. Vet. v. 18, p. 436-444, 1996.
McCONAGHY, F. Thermoregulation. In: HODGSON, D.R.; ROSE,
R. J. The athletic horse: principles and practice of equine
sports medicine. 1.ed., Philadelphia, W. B. Sauders Company,
1994. cap. 9, p. 181-202
REED, S.M. & BAYLY, W. M. Diseases of specific body
systems. In: ____ Equine Internal Medicine. 1.ed., Philadelphia.
W. B. Saunders Company, 1998. cap. 17, p. 925.
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