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Técnicas
& Veterinárias
Impactação Intestinal
por
André Galvão Cintra
Considerações
Gerais:
As
cólicas são, injustamente, atribuídas
à ração que se oferece ao animal. As
causas da impactação, como na maioria das
cólicas, estão associadas a um mau manejo.
O volumoso, alimento natural e ideal do cavalo, também
pode, quando mal manejado, causar cólica nos animais.
As causas da impactação podem ser:
1. Utilização de fibras grosseiras: de baixa
digestibilidade, é a principal causa deste tipo de
cólica. Estas fibras podem ser oriundas de:
1.1. Feno cortado além do ponto, ficando com o talo
muito grosso;
1.2. Feno deixado secar por tempo demasiado, ficando com
o talo muito ressecado;
1.3. Capim fresco do tipo elefante (napier, colonião,
etc.) cortados além do ponto ideal ficando com o
talo grosso e ressecado.
2. Mastigação deficiente: ocasionada por problemas
dentários;
3. Consumo de água inadequado: proporcionará
fezes ressecadas;
4. Tédio: que poderá levar o animal à
pica (ingestão de corpos estranhos, da cama, de areia,
etc.);
5. Consumo de Água Inadequado: em cursos naturais
rasos, como rios e lagoas, onde o animal ingere areia do
fundo juntamente com a água.
6. Verminótica: causada após vermifugação
em animais jovens com parasitismo intenso.
Apesar
dos sintomas aparentes mais leves, a gravidade deste tipo
de cólica é alta, levando, na maioria das
vezes, o animal à cirurgia e também ao óbito.
Considerações
Específicas:
Os
movimentos intestinais (peristáltico, anti-peristáltico,
segmentar e pendular) são movimentos induzidos por
estímulos mecânicos; a ingestão exagerada
de alimentos grosseiros, de baixa digestibilidade, provocará
problemas no processo digestivo.
Com o oferecimento de volumosos grosseiros, ou em animais
com problemas de dentição, teremos fibras
de baixa digestibilidade, ricas em lignina, e o movimento
peristáltico poderá ser aumentado causando
cólicas do tipo espasmódica. Este aumento
exagerado dos movimentos peristálticos poderá
levar a quadros mais graves como volvo (torção
de alça intestinal no eixo do mesentério),
torção (torção de alça
intestinal no seu próprio eixo) ou intussussepção
(invaginação de porção do intestino
para dentro da porção seguinte).
Se houver uma sobrecarga desta fibra de baixa qualidade,
ocorrerá uma estagnação do bolo fecal.
Isto também pode ocorrer pela ingestão de
corpos estranhos, que bloqueará a passagem do alimento.
Se esta estagnação ocorrer no Intestino Delgado,
chama-se Quimostase. O curso deste tipo de cólica
é rápido, variando de 6 a 12 horas no duodeno
e jejuno e de 2 a 4 dias no íleo. Se for no duodeno
e jejuno, observam-se crises de dor violenta, o animal cai
e levanta rapidamente, pode ocorrer icterícia por
crise toxêmica do fígado, há desidratação
por obstrução do ciclo da água. Caso
ocorra no íleo, há inquietação,
perda de apetite, olhadas para o flanco direito, animal
fica em posição de micção, levanta
e bate a cauda. A morte pode ocorrer por ruptura de alça
intestinal, dilatação gástrica secundária
ou por enterotoxemia.
Se ocorrer no Intestino Grosso, normalmente no ceco, na
flexura pelviana do cólon e no início do colon
menor, chama-se de Coprostase. Também pode ser causada
por intoxicação por amitraz (carrapaticida).
Os sintomas desenvolvem-se gradualmente. As crises de dor
são fracas e podem durar dias. Os animais deitam-se
com cuidado, olham o abdômen, assumem posição
de micção, a eliminação de fezes
é rara e em pequenas quantidades.
Em um
bom processo digestivo, o conteúdo do intestino delgado
é semi-líquido, ficando mais firme no intestino
grosso, onde ocorre absorção de água.
O cavalo produz, em média 40 litros de saliva (animal
de 400 kg) por dia. Esta quantidade estará aumentada
conforme o alimento seja mais grosseiro e diminuída
se o alimento for tenro. Se houver ingestão ineficiente
de água, haverá problemas no processo digestivo,
aonde o alimento já chegará ao estômago
mais ressecado e mais ainda no intestino grosso, causando
a impactação por fezes ressecadas.
No caso de verminose intensa, ao se utilizar um vermífugo
altamente eficaz, que age inibindo a transmissão
neuro-muscular dos helmintos, estes ficam paralisados no
Intestino Delgado, se enovelam causando obstrução,
impedindo a passagem do alimento. Pode ocorrer refluxo nasal
contendo vermes (Parascaris equorum). Ocorre uma ação
alérgena e tóxica dos vermes mortos que pode
levar o animal a um choque toxêmico. Pode-se ainda
observar perfurações ou rupturas intestinais,
peritonite, intussussepção.
PREVENÇÃO
Como
todas as cólicas, um bom manejo alimentar é
fundamental para se prevenir e evitar a impactação.
Fibras
A utilização de fibras de boa qualidade deve
ser condição primordial para um bom manejo
alimentar.
Se utilizar feno, observe a qualidade deste feno, se não
está com talo exageradamente grosso e se não
está ressecado demais.
Se utilizar capim picado, não deixe passar o ponto
ideal de corte que está ao redor de 1,60 e 2,20 de
altura. É comum observarmos no período de
sêca, capineiras com 3 , 4 e até 5 metros de
altura. Muitos tratadores tentam minimizar isto picando
este capim bem curto e muitas vezes colocando um pouco de
farelo de trigo por cima para o cavalo comer o capim. Isto
não só não melhora a digestibilidade
do alimento como obriga ao cavalo ingerir alimento de baixa
qualidade nutricional e que pode causar os problemas descritos.
O ideal é oferecer este capim inteiro ou picá-lo
com um tamanho acima de 5 cm. Desta forma o cavalo ingere
apenas a porção de qualidade do volumoso.
Dentes
Uma avaliação das condições
dentárias de seu cavalo é muito importante
para se prevenir de problemas no futuro. Hoje já
existem diversos veterinários que estão se
especializando em odontologia eqüina.
Água
Devemos avaliar as condições em que nossos
animais ingerem a água. Ela está disponível
sempre fresca e limpa e à vontade? Se o animal bebe
em rio ou lagoa, será que ele está ingerindo
somente água ou também areia?
Tédio
Será que as condições de vida que meu
animal leva são adequadas? Ele é solto todos
os dias? Ele está sendo alimentado adequadamente?
Ele está com vícios, como pica, ingerindo
substâncias que podem ser prejudiciais a ele?
Vermes
A aplicação periódica de vermífugos
eficazes desde os 30 dias de vida do animal deve-se ser
realizada, com repetições a cada 90 dias por
toda a vida do animal. Caso haja suspeita de alta infestação
em um animal jovem, deve-se proceder a uma aplicação
de vermífugo mais fraco, ou sub-dose de um vermífugo
de boa qualidade e, após 20 dias, deve ser aplicado
a dosagem normal de um vermífugo eficaz.
Como
toda e qualquer enfermidade que acomete os animais, o tratamento
deve ser feito sempre por um veterinário. Aos primeiros
sinais de alterações do comportamento que
possam ser suspeitos de doença, não exite
em chamar um profissional de sua confiança.
Confie também a este profissional de sua confiança
dicas para o bom manejo de seu amigo eqüestre.
André
Galvão Cintra
Médico Veterinário
Professor FAJ/FATU
Assessoria & Nutrição Eqüina
e-mail: nutricaoequina@uol.com.br
www.harasvongold.com
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