Técnicas
& Veterinária
A
linhaça na Alimentação dos Eqüinos
por
Dr. André Galvão Cintra
Alimento
perfeito ou equilíbrio perfeito entre alimentos?
O que se deve buscar para a dieta do cavalo?
Alimento
perfeito não existe, mas equilíbrio perfeito
de alimentos é o que se deve almejar para um melhor
resultado na criação ou performance dos
cavalos.
Muito se tem falado a respeito do uso da linhaça
na alimentação dos eqüinos.
Como a maioria dos grãos, a linhaça é
um ótimo complemento a ser utilizado na alimentação
do cavalo, desde que seu uso se justifique e seja feito
com critério e avaliação cuidadosa
das necessidades reais do animal.
A linhaça pode ser utilizada de três formas:
grão integral, farinha e óleo.
O grão integral é tradicionalmente utilizado
em pequenas quantidades, 20 a 50 g diários ou mesmo
duas vezes por semana, com o intuito de se prevenir cólica.
Cerca de 95% das cólicas são ocasionadas
por um erro de manejo. Isso quer dizer que, adequando-se
o manejo às reais necessidades do cavalo, ele dificilmente
terá cólica (chance de 5%). Portanto, administrar
um “preventivo” para cólicas na dieta
diária, somente se justifica se o manejo estiver
errado. E manejo errado, não se justifica.
Além disso, esta linhaça em grão
somente tem uma ação efetiva se administrada
umedecida, pois a casca do grão é extremamente
dura, dificultando sua ação laxativa. O
problema está em que quando se umedece o grão
de linhaça este libera ácido prússico
(cianídrico) que é altamente tóxico
para o cavalo se administrado em quantidades elevadas.
O ácido prússico impede a absorção
de oxigênio pelo organismo, levando à morte
súbita.
Já a linhaça oferecida sob a forma de farinha
ou óleo pode trazer alguns benefícios bastante
interessantes ao animal, desde que obedecidas às
recomendações iniciais.
A linhaça é um alimento muito rico em ômega
3, um ácido graxo essencial que, juntamente com
o ômega 6, é responsável por uma série
de respostas do organismo a agressões.
Um equilíbrio entre os ácidos graxos ômega
3 (ácido alfa-linolênico, ácido eicosapentanóico
e ácido docosahaxanóico, de baixo potencial
inflamatório) e dos ácidos graxos ômega
6 (ácido linolêico e ácido aracdônico,
de alto potencial inflamatório) leva a uma resposta
equilibrada do organismo, trazendo benefícios como:
• Abrandamento de reações inflamatórias
e alérgicas indesejáveis, melhorando a resposta
imunológica.
• Para potros em crescimento funciona como auxiliar
no desenvolvimento neurológico.
• Para éguas em gestação auxilia
no desenvolvimento fetal e na lactação,
aumentando a quantidade do leite.
• Observamos ainda restabelecimento do brilho e
da cor da pelagem, bem como a saúde da pele.
• Em cavalos de esporte e trabalho aumenta a energia
disponível, levando a uma recuperação
muscular mais rápida após exercícios.
• Promove ainda prevenção de distúrbios
circulatórios e cardiovasculares além de
ser excelente auxiliar no tratamento de laminites, artrites
e artroses e miopatias.
A
maioria dos grãos presentes na dieta tradicional
do cavalo são muito ricos em ômega 6, propiciando
um desequilíbrio na relação ômega
3/ômega 6.
Este desequilíbrio pode ser atenuado através
da administração criteriosa e equilibrada
da linhaça sob a forma de farinha ou óleo
na dieta do animal.
A quantidade de farinha de linhaça a ser administrada,
sempre como complemento à dieta diária,
pode variar de 100 g a 400 g para cavalos saudáveis,
podendo chegar a até 700 g diários para
animais debilitados.
O óleo de linhaça deve ser prensado a frio,
pois o refinado volatiliza os ácidos graxos, perdendo
o benefício a que se propõe com seu uso.
Mas a linhaça não é somente fonte
de ômega 3 e 6. É um alimento rico em energia,
rico em proteína (a farinha chega a 35% de proteína
bruta), e como toda matéria prima, não é
equilibrada em vitaminas e minerais. Portanto, seu uso
de forma indiscriminada e abusiva, ou mesmo como alimento
único é mais prejudicial que benéfico
ao animal.
Excesso de energia na dieta causa timpanismo, diarréias,
queda do tônus digestivo levando a contrações
e possíveis cólicas, dilatação
do ceco, degeneração cardíaca, hepática
e renal, dismicrobismo e laminite.
Excesso de proteína na dieta causa uma série
de distúrbios como enterotoxemia, problemas hepáticos,
emagrecimento, problemas renais, má recuperação
após o esforço, problemas de fertilidade
em garanhões, transpiração excessiva,
cólicas, timpanismo e dismicrobismo.
O desequilíbrio vitamínico mineral leva
a distúrbios de absorção de nutrientes
além de poder proporcionar doenças carenciais
ou por excesso de um ou outro nutriente, com conseqüências
desagradáveis a médio prazo.
Portanto, visto que, apesar dos benefícios reais
de seu uso, a linhaça também pode proporcionar
problemas quando de seu uso incorreto, devemos pensar
seriamente em quando e como utilizá-la.
Uma dieta correta, onde se privilegia o volumoso de boa
qualidade (feno ou pastagem de gramíneas), com
água fresca e limpa e sal mineral específico
para cavalos à vontade, complementados com concentrado
equilibrado e de origem idônea, pode ainda, se necessário,
ser suplementada com a farinha de linhaça se assim
o animal o exigir.
Mas jamais como concentrado único, pois ela por
si só, não é equilibrada.
Acima de tudo, não prejudique o animal.
André
Galvão Cintra
Médico Veterinário
Assessoria & Nutrição Eqüina
Professor FAJ / FATU
Fone: (14) 9132.8411
E-mail: nutricaoequina@uol.com.br