Técnicas & Veterinária
Alimentação dos eqüínos, necessidades básicas
e suplementação nutricional
por
André G. Cintra
Um Programa de Nutrição deve
ser adequado à função desenvolvida pelo
eqüino e à categoria à qual ele pertence.
Deve-se levar em consideração as quantidades
mínimas necessárias de energia, proteína,
vitaminas e minerais.
Considerações Básicas:
Quando tratamos da alimentação
dos cavalos, os nutrientes com os quais devemos nos preocupar,
são os seguintes:
- Carboidratos e Lipídeos: as necessidades energéticas
dos animais são atendidas através dos carboidratos
e dos lipídeos que lhes fornecemos. Estas necessidades
estão ligadas principalmente ao tamanho do animal
e ao tipo de trabalho que desempenha.
Os lipídeos não são utilizados apenas como fonte
de energia, mas também fornecem os ácidos graxos que
são essenciais ao bem estar dos animais. Apenas depois de termos
atendido às necessidades de AG dos animais é que podemos
usar os lipídeos para atender às necessidades energéticas.
- Proteína: As necessidades de proteína dos
animais são específicas para prover os aminoácidos
de que o animal necessita, assim como a atividade que desempenham,
como crescimento e reprodução. Devemos nos
preocupar, não só com a quantidade da proteína,
mas principalmente com a sua qualidade.
- Minerais: Grupo dividido em macro e micro elementos minerais.
Os macro-elementos estão envolvidos com a estrutura do animal
e são perdidos diariamente durante o desempenho de suas atividades
(Ca, P, Na, Cl, K, Mg, S).
Os micro-elementos estão envolvidos, principalmente, com as
funções metabólicas dos animais. (Fe, I, Cu, F,
Mn, Mo, Zn, Co, Se, Cr, Sn, Ni, V, Si).
- Vitamina: Estão divididas em duas categorias principais:
as hidrossolúveis e as lipossolúveis.
Com a forragem verde, de alta qualidade,
que o cavalo obtém na pastagem, provavelmente não
temos que nos preocupar com a adição de qualquer
teor extra de vitaminas A, D e E para animais em manutenção.
No entanto, se o animal é mantido numa baia e alimentado
com feno, provavelmente precisará de uma suplementação
de vitaminas.
A maioria das vitaminas hidrossolúveis é fornecida em níveis
suficientes pelos alimentos normalmente dados ao animal, ou são
produzidas em quantidades adequadas no sistema digestivo.
Sob condições de stress intenso, como corrida, provas ou
exposições, o animal poderá não conseguir
as quantidades necessárias de vitaminas através da alimentação
normal. Para estes animais, recomenda-se uma suplementação
de vitaminas.

NECESSIDADES BÁSICAS
Em primeiro lugar é necessário
ressaltar que o cavalo é um animal Herbívoro,
isto é, se alimenta fundamentalmente de forrageiras.
Portanto, em sua dieta habitual, é necessário
o fornecimento de volumoso (capim ou feno).
Para alimentação adequada do cavalo, devemos respeitar
sua natureza, suprindo suas necessidades básicas, que são:
VOLUMOSO: Feno ou Capim fresco
de qualidade:
Feno: é a forma
desidratada do capim, isto é, o capim com apenas 10-20%
de água. Deve ser feito de capim de qualidade (Coast-cross,
tífton, alfafa, etc.) e fenado no ponto certo, nem
muito seco, nem muito úmido. Quando o capim é fenado
além do ponto correto de corte, pode ficar muito fibroso,
o que pode causar cólica nos cavalos. Se for cortado
no ponto certo e deixado secar em demasia, fica muito fibroso,
também podendo causar cólica nos animais. Se
for cortado no ponto certo, mas deixado secar pouco, sendo
enfardado úmido, pode ocorrer o aparecimento de fungos
que podem causar problemas nos animais. Desde que feito da
forma correta e bem armazenado, é um excelente alimento
para os cavalos.
Capim: este pode ser fornecido sob
a forma de pastagens ou suplementado no cocho, picado.
Quando oferecido no cocho picado, deve-se atentar
para a qualidade deste capim. Os mais utilizados
sob esta forma são os capins elefantes (napier,
colonião, etc.). O manejo das capineiras deve
ser muito bem feito para que o aproveitamento pelo
cavalo seja o melhor possível. É muito
comum o corte destes capins com altura superior a
dois metros e meio (às vezes até quatro
metros) de altura. Porém, quando é cortado
com altura superior a dois metros e meio, ocorre
uma perda considerável da qualidade, devido à baixa
digestibilidade de seu talo. O ideal é cortá-lo
entre um metro e meio e dois metros e meio.
ÁGUA: Fresca, Limpa e Potável
Deve-se ter sempre à disposição
do animal água fresca, jamais gelada devido aos riscos
de cólicas que esta pode ocasionar. Deve também
estar sempre limpa, evitando-se as águas barrentas
que podem causar distúrbios digestivos pelo acúmulo
da terra dentro do aparelho digestivo do cavalo. Deve ser
fornecida ainda à vontade, pois as necessidades de água
pelo cavalo são elevadas, de 20 a 75 litros por dia,
dependendo do porte do animal, do clima, da intensidade do
trabalho e da natureza da alimentação. As fêmeas
em lactação têm suas necessidades aumentadas
em 15 a 30 litros por dia.

COMPLEMENTAÇÃO MINERAL
Esta também é de fundamental
importância para suprir as necessidades básicas
do cavalo, que são relativamente elevadas com relação
aos minerais. Estes devem ser oferecidos de maneira equilibrada,
através de sais minerais de empresas idôneas
e à vontade, num cocho à parte.
SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL
Após termos supridos as mínimas
necessidades para manutenção do cavalo, aí sim,
conforme a atividade a que vamos submetê-lo, seja um
potro em crescimento, égua em reprodução
ou cavalo de esporte e trabalho, devemos oferecer-lhe os
complementos de uma alimentação, para que possamos
atingir os níveis Energéticos e/ou Protéicos
suficientes para suprir estas novas necessidades, mas sempre
respeitando sua natureza valorizando o volumoso.

RAÇÃO (COMPLEMENTO
CORRETOR)
Esta deve ser equilibrada, oriunda de empresas
idôneas para se ter garantia da qualidade do produto.
Existem vários tipos de apresentação de ração:
Farelada, Peletizada, Laminada ou Extrusada. As rações
industrializadas (Peletizadas, Laminadas ou Extrusadas) possuem 03 vantagens
fundamentais sobre as fareladas, principalmente as misturadas na propriedade:
- Toda matéria prima que chega à fábrica
de ração é classificada e analisada
para se ter certeza da qualidade de seus nutrientes (Umidade,
Proteína, Minerais, etc.). Com base nessas análises, é possível
garantir a qualidade e os níveis do produto final
(com relação à proteína, minerais,
fibra, etc.). Como não é possível
analisar a matéria prima na propriedade, não
há garantia de manutenção do padrão
do produto final.
- As rações fareladas produzem muito pó que,
se inspirados pelo cavalo, podem levar a problemas respiratórios.
Além disso, este pó pode causar obstrução
do canal naso-lacrimal (canal que liga a narina ao olho)
levando a produção excessiva de secreções
oculares.
- Para se evitar este pó, é muito comum molhar
a ração antes do fornecimento ao animal.
Ocorre que as rações fareladas, por serem
mais leves que as peletizadas, ocupam um volume maior,
portanto os cavalos demoram mais tempo para comer esta
ração. Em temperaturas mais elevadas, podem
ocorrer processos de fermentação desta ração
molhada levando a quadros de cólicas.
Existem ainda as matérias-primas
(aveia, trigo, milho, etc.) que muitos criadores/proprietários
de animais oferecem misturado à ração
balanceada. Ocorre que estas matérias-primas são,
em geral, muito ricas em fósforo (a relação
Ca:P pode ser de 1:3 quando o ideal é 1,8:1) o que
leva a um desbalanceamento na relação cálcio/fósforo
sangüíneo levando a graves problemas como a cara
inchada.
Quanto às apresentações
de rações industrializadas, não devemos
nos preocupar com a aparência do produto (peletizada,
laminada ou extrusada), mas principalmente com os níveis
de garantia destes produtos.
Tecnicamente falando, um produto extrusado é superior a este mesmo
produto laminado e este mesmo produto peletizado. Isto não quer
dizer que qualquer produto extrusado é superior a outros, nem
que toda ração laminada é superior às peletizadas.
O que mais importa na avaliação da qualidade de um produto
são seus níveis de garantia, principalmente valores de
qualidade de energia e proteína. A qualidade de sua energia também
pode ser avaliada através do valor de seu extrato etéreo,
que é o valor de gordura de uma ração, onde se este
valor for alto, a qualidade de sua energia, e também de sua proteína,
serão elevados.
Existem rações peletizadas no mercado que possuem qualidade
energética e protéica muito superiores às laminadas
e extrusadas.
Devemos estabelecer realmente quais as necessidades do cavalo para podermos
suprir de forma adequada e obtermos os melhores resultados de performance
e também na saúde do animal. Para isso devemos observar
qual o tempo de digestão de cada tipo de alimento para podermos
dividir e ocupar melhor o tempo de cada animal.
André Galvão Cintra
Médico Veterinário
Assessoria, Planejamento & Homeopatia
Presidente ABCC Bretão
Fone: (19) 3808.4828
Celular: (19) 9705.9734
E-mail: nutricaoequina@uol.com.br
|