Técnicas & Veterinária
O
QUÊ O CAVALO DIRIA?
Antônio Fernando Amorim Farias Já me
deparei com situações inusitadas no que diz
respeito aos mais diversos tipos de “tratamentos” instituídos
empiricamente por donos de cavalos que, apesar dos avanços
na medicina veterinária preventiva e curativa, insistem
em admitir tratamentos baseados em crendices e “achismos”,
ditos por experts da eqüinocultura.
Como exemplos absurdos, posso citar algumas das mais aberrantes
situações que presenciei. Ao atender um cavalo
que inicialmente aparentava estar com habronemose, uma destas
pessoas que ficam dando sugestões de tratamentos disparou: “eu
vi um caso igualzinho a este, e curei com banha de sapo”.
Quando eu perguntei: Como assim? ele respondeu: “Doutor,
nós lavamos a ferida com sabão amarelo e em
seguida amarramos um sapo morto com a barriga aberta em cima
da ferida; não tem erro, cura mesmo”. Resultado,
não sobrou nenhum sapo cururu na região dele.
Outro relato de tratamento milagroso e muito comum entre
criadores menos informados refere-se à cólica.
Segundo o amigo de um fazendeiro, ele deveria dar uma garrafa
de coca-cola com sonrisal via narina para o animal; assim,
ele colocaria os “gases” para fora e seria “tiro
e queda”?!!?
É
impressionante a desinformação de alguns proprietários
que ainda submetem seus animais a tratamentos absurdos, quando
dispomos de recursos como as pastas antiparasitárias,
a exemplo de Eqvalan Gold, que trata de vermes redondos,
chatos e larvas de moscas (gasterófilos). Outra opção,
nos casos de cólica, por exemplo, seria a indicação
e uso por parte do veterinário, de Ketofen 10%, que
tem ótima atuação não só nas
cólicas como também em problemas osteoarticulares.
Apesar de condenar tais práticas, entendo que estes
proprietários pecam pela desinformação
e crendice, mas fazem isso por amor a essa espécie
belíssima. No momento de aflição, buscam
alternativas absurdas, quando devem procurar prioritariamente
um médico veterinário para resolver os mais
diversos problemas que acometem os eqüinos.
Diante esses relatos de tratamentos mirabolantes, só nos
resta perguntar: Se falasse, O QUÊ O CAVALO DIRIA?
Antônio Fernando Amorim Farias
Médico veterinário, há três anos
trabalhando na área de clínica cirúrgica
de eqüinos
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