Técnicas
& Veterinária
Óleo
na dieta dos cavalos... Você também acredita
que é só para fazer o pêlo brilhar?
por Dr. Ricardo Lougon Ávila
Muitos proprietários e treinadores
ouviram falar ou usam algum óleo vegetal na dieta
dos cavalos. A razão mais comentada para esta finalidade
é a melhora da pelagem entre outras coisas. Contudo,
isso vem mudando rapidamente. Os técnicos da área
têm se empenhado em acompanhar o que se chama hoje
de nutrição ou suplementação
esportiva. A crescente profissionalização
do meio contribui para o aprimoramento das dietas, atendendo
assim a demanda dos cavalos e proprietários cada
vez mais famintos por ranking e premiações.
O cavalo é um animal com um sistema
digestivo muito peculiar e sensível, sendo que a
competição extrema faz com que sejam levados
ao limite do organismo. Esta sensibilidade digestiva está
muito ligada ao volume de ração ofertado e
a alta concentração de carboidratos, isto
é, uma quantidade muito grande de concentrado na
forma de grãos e farelos para aumentar a capacidade
energética. O óleo possui mais de 2 vezes
a energia contida nos grãos, ou seja, uma ótima
opção de suplementação quando
o assunto é necessidade de energia e sem problemas
de digestão. Existe pouca alteração
na quantidade de calorias entre os óleos. Contudo,
existe diferença no perfil de ácidos graxos
de cada óleo e quanto a outros nutrientes interessantes
que são extraídos no processo de refino.
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A quantidade maior ou menor de um certo
ácido graxo na composição de um óleo
qualquer, pode determinar se o seu cavalo mudará
da água para o vinho ou o inverso. São muito
difundidas as propriedades dos ácidos graxos monoinsaturados
e poliinsaturados e execradas as propriedades dos ácidos
graxos saturados. Um óleo rico em monoinsaturados,
como óleo de oliva, tem seu preço por volta
de R$25,00 o litro. Já o sebo bovino rico em ácidos
graxos saturados, custa em torno de R$0,80 o litro. Para
cavalos atletas que valem muito dinheiro, saber escolher
qual o perfil de óleo a ser utilizado na dieta pode
ser uma pequena, porém, providencial colaboração
para a vitória.
Outra grande diferença está
entre utilizar um óleo refinado ou semi-refinado.
Aqueles que se encontra nas prateleiras dos supermercados
são os refinados, ideais para cozinhar e fritar.
No óleo bruto se encontram várias
substâncias como vitaminas lipossolúveis, lecitina,
pigmentos, fitoesteróis e enzimas. Porém,
nesta fase o óleo se deteriora rapidamente aumentando
acidez e o ranço, por isso é inútil
usar óleo bruto. No processo de refino são
retiradas quase todas estas substâncias e depois vendidas
em separado como suplementos. Outro produto deste processo
são os farelos que podem ser desengordurados, como
o farelo de soja ou os farelos “gordos”, pouco
palatáveis e com ingestão limitada. Por esta
razão, um óleo refinado de soja ou de milho
custa muito barato, não há nada mais além
de energia.
Já o óleo semi-refinado
não é indicado para frituras, mas preserva
os nutrientes interessantes para o organismo através
de processo de alta tecnologia, sem problemas de acidez
ou ranço. No processo de semi-refino é retirada
a lecitina e a acidez, mantendo vitaminas e fitoesteróis
como o gama-orizanol, encontrado em grande concentração
no óleo extraído do farelo do arroz. O gama-orizanol
é uma substância com propriedades anabolizantes
que aumentam a massa muscular e antioxidantes que protegem
as células durante o esforço físico.

(HTNUTRI,
Camaquã – RS – Única empresa na
América do Sul com tecnologia capaz de produzir óleo
semi-refinado de farelo de arroz e registrado pelo Ministério
da Agricultura)
Perceba que agora você já
compreende as diferenças na composição
dos óleos quanto aos ácidos graxos e as diferenças
entre refinado e semi-refinado. A suplementação
com óleo pode variar na sua quantidade de acordo
com o peso do animal e a intensidade do treinamento. Para
a comunidade científica o ideal está em torno
de 15% da necessidade diária de energia que pode
ser ofertada na forma de óleo. Para melhor esclarecer
vamos aos extremos dos exportes eqüestres com o esquema
abaixo:
• Evento de baixa intensidade e longa duração
(enduro de 120Km), recomendação: 350ml a 400ml
ao dia.
• Evento de alta intensidade e curta duração
(penca de 700m), recomendação: 200ml a 250ml
ao dia.
No Brasil existem muitas opções
de suplementos para cavalos e o número de lançamentos
cresce junto com o mercado. Muitos nomes performáticos,
quase todos com os mesmos apelos e os mesmos ingredientes
que os compõem. Os proprietários e treinadores
brasileiros não compram mais qualquer produto, confrontam
apelos de venda com os ingredientes. Já existe uma
preocupação em aumentar a vida esportiva dos
cavalos e os “coquetéis” endovenosos
de resultado fácil são banidos pouco a pouco
à medida que o esporte evolui e os profissionais
se tornam mais responsáveis. O óleo é
um produto simples e ao mesmo tempo rico por natureza, que
pode trazer muitos benefícios para a performance
e para a saúde dos cavalos se bem escolhido e usado
com critério.
Dr. Ricardo Lougon Ávila
Veterinário
11-96592272
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