Técnicas & Veterinária
Cuidados
com a égua e o potro: o parto
por Alexandre Archanjo
O período de gestação
de uma égua é, em média, trezentos
e trinta dias. Durante esse período a égua
deve receber alimentação adequada, vacinação,
vermifugação e suplementação
de acordo com a recomendação de um veterinário.
O profissional deve também monitorar regularmente
a gestação (por toque ou ultra-som) e indicar
um programa de exercícios para a égua se
manter saudável e garantir também o desenvolvimento
do feto e aumentar as chances de sucesso da gestação
e do parto.
Semanas antes, os cuidados com a égua devem aumentar
e a rotina da mesma deve ser alterada para não haver
aumento no estresse no dia do parto (com mudanças
da rotina feitas de última hora).
O piquete em que a égua deve ser colocada (de preferência
na companhia de um animal de boa índole) deve estar
limpo, todo formado com capim, sem acidentes de relevo
e com cerca de madeira. Assim, diminui-se o risco de infecção
pós-parto ou acidentes com o recém-nascido.
Quando o piquete é pequeno, a observação
do processo de parição fica facilitado, sem
que a fêmea se sinta incomodada. As “mães
de primeira viagem” e as éguas com história
de problemas nos partos devem ser observadas com maior
freqüência durante o trabalho de parto. É sempre
prudente ter um veterinário de plantão ou
de sobreaviso para uma possível emergência.
O parto ocorre normalmente à noite e em local calmo,
limpo e seco. Nas condições climáticas
brasileiras é melhor que o parto ocorra a pasto,
o que diminui os riscos de traumas físicos no potro
(o que ocorre facilmente no caso de partos em baias-maternidade).
Se o criador não tiver piquetes para a parição
ou preferir a baia-maternidade, esta deve ser ampla, e
com cama sempre limpa.
Os sinais do início de parto podem incluir sudorese,
intranqüilidade, manoteamento do solo, olhar os flancos,
ansiedade, contrações involuntárias
dos membros posteriores e batidas da cauda sobre o períneo
(região da vulva).
Um parto normal ocorre em trinta minutos (em média)
após o rompimento das membranas fetais (bolsa),
com o potro se apresentando com as patas da frente e logo
depois o focinho. Um tempo maior que quarenta minutos ou
uma posição do nascente diferente representam
motivos de risco de vida para mãe e filho (parto
distócico) e merecem atenção do médico
veterinário.
Após o nascimento o potro já deve estar
ativo, livrando-se dos restos do parto, respirando normalmente,
tentando se levantar e mamar. Cerca de duas horas depois
o recém nascido já deve estar de pé,
mamando com freqüência e seguindo a égua.
O mais indicado é que mãe e filho sejam deixados
em paz, mas faz-se necessária, nas primeiras horas,
fazer a desinfecção do umbigo do potro. Outras
intervenções só devem ser feitas se
necessárias.
O processo de parição termina quando há expulsão
dos envoltórios fetais ainda remanescentes no útero.
A égua deve expulsar a placenta em até oito
horas após o parto e sua retenção
pode causar infecção, infertilidade, laminite,
toxemia e morte. É importante ressaltar que, mesmo
que haja retenção, a placenta não
deve ser puxada, uma vez que tal procedimento pode ocasionar
lesões uterinas e até mesmo prolapso do útero
(inversão do órgão para fora do corpo).
Por isso é que deve haver um monitoramento profissional
antes, durante e após o parto.
Outra observação é se o potro mama
normalmente. A ingestão do colostro (primeiro leite
da égua, rico em anticorpos) deve ocorrer nas primeiras
vinte e quatro horas após o parto para que o potro
adquira imunidade essencial para sua sobrevivência
nos primeiros dias . Segundo o médico veterinário
André Cintra, é recomendável que égua
esteja na propriedade em que irá parir pelo menos
quarenta e cinco dias antes do parto, para que haja tempo
do seu organismo produzir anticorpos apropriados ao ambiente
em que o potro irá nascer. Assim, quando o potro
mama o colostro, mama os anticorpos que o protegerão
contra os agentes patológicos comuns na propriedade.
Caso não haja ingestão do colostro em vinte
quatro horas a absorção de anticorpos fica
comprometida. No mesmo período também deve
ocorrer a expulsão do mecônio (massa escura
formada no intestino do potro na fase fetal). Se não
houver essa eliminação, o potro pode apresentar
cólicas severas.
Nas primeiras horas um profissional competente pode fazer
a ambientação do potro com o ser humano e
situações que serão comuns no seu
dia-dia (imprinting). A necessidade desse processo não é regra
e não há unanimidade entre criadores e treinadores
quanto aos benefícios dessa intervenção.
Nos primeiros quatro dias o potro é considerado
neonato. Ele ainda é bastante sensível e
a égua tem ciúme acentuado em relação à cria,
por isso qualquer intervenção na égua
ou no potro deve ser feita somente se necessária
e com muito cuidado. Eles devem ficar soltos em piquetes
pequenos e podem dormir em baia.
Dez dias após o parto, mães e potros de
idades semelhantes podem passar a integrar um único
lote em um piquete maior. Daí em diante, de acordo
com a fase de vida do potro, os animais passam por cuidados
e alterações específicas no manejo.
As principais fases da vida de um potro serão tratadas
em artigos posteriores.
Vale lembrar que os cuidados relatados são gerais
e, por isso, pode haver alterações no manejo
da égua e do potro de acordo com a prescrição
do seu veterinário. Esse profissional, que acompanhou
toda a gestação, adequará os procedimentos
e cuidados à sua região, condição
econômica e condição fisiológica
de cada animal. Assim, as chances de sucesso na criação
são aumentadas uma vez que será maior o número
de produtos saudáveis a serem selecionados posteriormente.
Alexandre Archanjo Carneiro
Graduando em Medicina Veterinária na Universidade
de Brasília – UnB.
Estagiário no Centro de Treinamento de Enduro Califórnia,
Brasília – DF
Estagiário no Hospital Escola de Grandes Animais da
Universidade de Brasília – UnB
Tel: (61) 9622 4188
E-mail: alex_archanjo@pop.com.br
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