| Técnicas & Veterinária
EXCESSO
DE SELÊNIO NA DIETA
por
André Galvão Cintra
Muitas são as histórias que
temos vivido e que são, sem sombra de dúvida,
de interesse para todo clínico ligado aos cavalos.
Em 1999, prestando assessoria a um cavaleiro de nível
internacional (por razões óbvias, vou preservar
o nome e a atividade esportiva do cavaleiro), fui chamado
por este cavaleiro para auxiliar na solução
de um problema que estava ocorrendo com alguns de seus animais
após algumas etapas de provas seletivas para uma competição
internacional.
O problema que foi apresentado é que alguns de seus
animais estavam apresentando início de Laminite logo
após algumas provas (ligeira claudicação,
pulso nos membros, etc.).
Claro que a suspeita principal recaiu sobre a ração
(a ração, sempre a ração – precisamos
repensar se o erro é da ração ou do
manejo que damos a ela quando ofertamos ao cavalo).
Obviamente, antes de visitar o cliente, confirmei que não
havia problema com a partida de ração que o
cliente estava utilizando.
Chegando ao Centro de Treinamento, busquei todas as informações
possíveis sobre tudo que os cavalos comiam, como era
o Treinamento dos animais e em que condições
ocorriam as competições em que os animais apresentavam
o problema.
Constatando que o Treinamento dos Cavalos estava dentro
da técnica adequada sem sobrecarregar os animais e
as provas seguiam um nível adequado ao treinamento,
comecei a analisar a alimentação do animal.
E aqui entra uma importante forma de observação.
Os animais eram alimentados com o que havia do bom e do melhor.
Feno de Coast-cross de excelente qualidade, concentrado equilibrado
em ótima quantidade (3,5 a 4 kg ao dia de ração
alta energia – para um animal de 450 kg) e uma boa
gama de suplementos.
Aparentemente, poderíamos descartar a possibilidade
de um problema nutricional, pois o animal estava recebendo
tudo o que deveria. Os suplementos eram do tipo Minerais
Quelatados, Vitamina E e Selênio, Eletrólitos,
além, é claro, de sal mineral para Eqüinos.
E aí é que a coisa pega, pois o que nos parece
equilibrado, na verdade está superalimentado. O que
normalmente esquecemos de observar é se não
há excessos alimentares na dieta de nossos cavalos.
Excessos não são apenas por uma grande quantidade,
mas também pela utilização de um elemento
por um período contínuo, muitas vezes sem que
haja necessidade desta suplementação.
Em nossos estudos, a literatura cita que “a administração
contínua e ininterrupta de Selênio pode causar
uma carência Induzida de Enxofre, mineral essencial
para a formação de aminoácidos sulfurados,
fundamentais para a formação do casco”.
Há aproximadamente 03 anos, este cavaleiro oferecia,
ininterruptamente, um suplemento a base de Selênio
e Vitamina E, independente do nível de atividade dos
animais.
Foi suspenso o fornecimento deste Suplemento por 15 dias
e somente oferecido aos animais em períodos onde a
atividade física é mais intensa. Claro que
esta atividade mais intensa ocorre na maior parte do ano,
mas no chamado período de férias do animal,
onde a atividade deve ser somente reduzida e não interrompida,
não ocorre o fornecimento deste suplemento, além
de um período de redução da atividade
entre as provas e competições.
Retornando ao CT após 06 meses não ocorreram
mais casos de início de Laminite, onde a dieta dos
animais foi adequada ao nível de treinamento, inclusive
o fornecimento dos suplementos.
Claro que não podemos afirmar com certeza absoluta, indiscutível,
se foi o Selênio que causava esta patologia, mas, eliminado-se isto como
causa, eliminou-se o problema, portanto...
André Galvão Cintra
Médico Veterinário
Consultoria, Planejamento & Homeopatia
Presidente ABCC Bretão
Fone: (19) 3808.4828
Celular: (19) 9705.9734
e-mail: nutricaoequina@uol.com.br
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