Segundo diversos autores, a Síndrome de Sobretreinamento
(SST) pode ser definida como uma resposta psicobiológica
complexa a um excesso de solicitação continuada
de treinamentos e que ainda pode sofrer influência
de múltiplos stresses associados que não
diretamente às
cargas de exercício ao longo da vida do atleta.
Dependendo das características
individuais, as respostas fisiológicas,
psicológicas e de conduta se manifestam de formas diferentes assim como
suas intensidades, tipo de atividade desenvolvida, nível de treinamento
alcançado, etc.
É sabido que de acordo com o nível de treinamento
alcançado, existem dados que servem como indicadores
fisiológicos a exemplo de marcadores hormonais como
catecolaminas, testorenona e cortisol. Estudos realizados
têm dificuldade em quantificar adequadamente o nível
de treinamento que o individuo está sujeito, porém,
tem-se resultados bastante consistentes quando se avalia
o volume de treinamento e sua relação com
períodos de SST com o quociente testosterona – cortisol
(CTC).
Outra maneira de se determinar a SST, são os indicadores
subjetivos, onde na medicina humana se utilizam questionários
que avaliam o estado de ânimo dos atletas, assim
como as escalas de fadiga que mostram o impacto global
do stress de treinamento sobre o organismo. Seria de grande
valia correlacionar marcadores hormonais com indicadores
subjetivos para se analisar e conhecer melhor a SST em
eqüinos, inclusive.
Tipos de SST
Baseado em estudos médicos, científicos
e empíricos, observam-se dois tipos de SST: uma
por programas de treinamento monótonos e outra por
sobrecargas crônicas. A primeira pode ser observada
em indivíduos submetidos a rotinas de treinamentos
com movimentos repetidos e a segunda por sobrecargas crônicas,
como conseqüência de treinos de longa duração
e freqüentemente repetidos, assim como por excesso
de competições.
Podemos imaginar a primeira em eqüinos de salto,
por exemplo, onde certas sessões de treinamento
se valem de repetidos movimentos como saltos consecutivos,
A segunda forma sim, pode-se atribuir ao cavalo de enduro,
onde este fica submetido a um estresse de treinamento longo
e muitas vezes monótono, sem dizer o acréscimo
de estresse originado pelas competições,
viagens, mudanças repentinas de manejo e clima.
Fatores predisponentes da SST
Sabe-se que as principais causas de SST em atletas estão relacionadas
com aqueles indivíduos que realizam atividades de longa duração,
ou repetidas por um longo período de tempo, associadas com estados psicológicos
desfavoráveis e dados pela rotina de treinamento repetitivo e exagerado.
- Treinamento intensivo;
- Aumentos repentinos de carga de trabalho;
- Grandes volumes de treinamento monótono.
Estresses de características físicas
- Diminuição dos depósitos de glicogênio;
- Desidratação;
- Enfermidades ou lesões;
- Estresses psicológicos da vida diária, viagens, mudanças
local, etc.
Sintomas de Sobretreinamento
- Baixa performance;
- Depressão (perda de interesse, conduta competitiva, perda de libido);
- Perda de peso e apetite;
- Ansiedade e irritabilidade aumentadas;
- Fadiga;
- Perturbações do sono, dificuldade em descansar, caminhar na
cama;
- Freqüência cardíaca em repouso elevada;
- Sudoração excessiva;
- Queda de status imunológico (infecções crônicas
principalmente em vias aéreas superiores, infecções intestinais,
freqüentes afecções dermatológicas como micoses,
cicatrização dificultosa de feridas menores).
Detecção da SST
A detecção da SST se torna de certa maneira
dificultosa, porem, quando se pode acompanhar e controlar
periodicamente o rendimento tanto subjetivamente como objetivamente,
o estado de animo e a freqüência cardíaca
em repouso, certos sinais da SST podem ser identificados
nos eqüinos.
Outra maneira trata da adoção de registros de treinamento das
atividades realizadas, volume, intensidade e disposição do atleta,
estado de animo e controles médicos assim como realizar todas as provas
possíveis dentro das condições econômicas e temporais.
A SST e o Sistema Imune
Tem sido estabelecido que atletas experimentam consideráveis,
porem transitórias, perturbações imunitárias
durante e por várias horas seguintes às sessões
de treinamento. Seria sensato crer que algum efeito crônico
esteja presente em repouso. As atividades esportivas especialmente
as de alta intensidade e longa duração podem
levar a um certo grau de imunossupressão. Tal mau
funcionamento do sistema imune pode ser um componente da
SST, onde aparecem infecções recorrentes
durante períodos de máximo treinamento ou
estresse competitivo.
Possíveis causas de Imunossupressão
causadas pela SST
- Aumento de Costisol Serico;
- Diminuição de concentração
de glutamina serica;
- Diminuição das concentrações
de imunoglobulina na saliva.
O tecido linfóide utiliza taxas de glutamina similares às
que utilizam o músculo esquelético e o cardíaco,
a principal fonte de glutamina plasmática é o
músculo esquelético, a qual têm sido
encontradas deprimidas em competidores sobretreinados,
ou de maratona, comparando-se valores pré e pós-competição.
Segundo o Britsh Olimpic Medical Center, a SST se dá primeiramente
em atletas que praticam esportes de longa resistência,
depois em desportistas onde a potência e a velocidade
sejam os princípios básicos de treinamento
e de competição.
Sabe-se também que a função linfocitária tem sido
encontrada reduzida em corredores de elite depois de maratonas, o que não
se encontra em corredores amadores habituais depois de períodos de treinamento.
Depressões similares entre 30% e 70% nos linfócitos têm
sido encontradas em corredores moderados de maratona controlados por 04 a 06
minutos.
José Ronaldo Garotti –
j.garotti@uol.com.br