Técnicas & Veterinária Suplementação
mineral
por
André Galvão Cintra
Além do sal mineral que deve ser oferecido sob qualquer
circunstância ao animal, o cavalo pode ter a necessidade
de alguns elementos minerais conforme as circunstâncias.
Temos que tomar alguns cuidados aos oferecermos uma suplementação
mineral ao animal, pois temos que oferecê-la em equilíbrio,
jamais um único elemento mineral (exceto em casos
de patologias específicas).
Existe uma interação entre os elementos minerais,
e se houver um excesso de um único elemento mineral,
podemos ter uma síndrome chamada de carência
induzida, onde o excesso de um elemento mineral, causa a
deficiência de outro elemento, mesmo que esse outro
elemento esteja em quantidade adequada na dieta. Por exemplo,
se oferecermos uma suplementação extra de Ferro
ao animal, sem que seja necessário, podemos causar
uma carência induzida de Zinco e Cobre, e o animal
passa a apresentar sintomas de carência de zinco e
cobre, mesmo que os níveis destes elementos sejam
adequados na dieta.
Cálcio (Ca) e Fósforo
(P)
A suplementação adequada de cálcio e
fósforo é importante para se obter uma perfeita
integridade do esqueleto, um bom desenvolvimento ósseo,
sólido e resistente às trações
musculares.
O equilíbrio no fornecimento de cálcio e fósforo é muito
importante para se prevenir o aparecimento de afecções ósseas,
como a osteofibrose ou hiperparatireoidismo nutricional secundária
(“cara inchada”).
Relação Ca/P: Entre 1,5 a 2,5 partes de cálcio
para 1,0 parte de fósforo (1,5:1,0 a 2,5 :1,0).
Cloreto de Sódio (NaCl)
As necessidades diárias em manutenção
são facilmente cobertas pelas rações
comuns do mercado, mas em situações especiais,
onde há exigências diferenciadas, sobretudo
em clima quente, uma suplementação extra se
torna imprescindível para impedir o aparecimento de
sinais de fadiga e queda de resistência.
Uma carência crônica se manifesta
por uma alteração
do apetite e pelo aparecimento da “pica” (propensão
a ingerir qualquer coisa: urina, terra, madeira, etc.), por
rugosidade da pele e, eventualmente por redução
da velocidade de crescimento ou da secreção
Láctea e por uma predisposição a acidentes
musculares agudos.
Magnésio (Mg)
O Magnésio é chamado de sedativo do sistema
nervoso, tanto central (como o cálcio), como periférico
(oposto ao cálcio). Suas necessidades são aumentadas com dietas hiperprotéicas
e hiperenergéticas.
Em animais nervosos ou irritados, ou submetidos
a estresse contínuo, um tratamento, por período
definido, com um suplemento rico em magnésio, tem
um efeito benéfico para o animal. Não deve
ser oferecido ininterruptamente, mas por período breves.
Potássio (K)
O Potássio, assim como o sódio, está ligado à excitabilidade
muscular. O excesso de potássio é muito perigoso; ele
induz a uma grande fadiga muscular e pode levar a problemas
cardíacos. Devemos tomar muito cuidado com uma alimentação
muito rica em melaço, pois este é rico em potássio.
Ferro (Fé)
Fator Antianêmico.
É
muito comum alguns proprietários de cavalos de esporte
aplicarem ferro injetável aos animais, pretendendo
aumentar a capacidade esportiva do animal. Esta prática,
além de não aumentar a performance do animal,
prejudica a absorção de zinco e cobre, em detrimento
da solidez óssea, prejudica a produção
de hemoglobina e a elasticidade dos tendões.
O aumento da taxa sangüínea de ferro acelera
a utilização da vitamina E e predispõe
a lesões musculares. Carência Rara.
Cobre (Cu)
É um fator antianêmico, participa do
desenvolvimento ósseo,
prevenção de osteocondrose, elaboração
de camadas córneas. Risco de Carência Elevado.
Zinco (Zn)
Ligado à ossificação, integridade dos
tegumentos (pele e camadas córneas, juntamente com
o cobre, Vitamina A e Biotina) e imunidade. Risco de Carência
Elevado.
Manganês (Mn)
É
indispensável à fertilidade e ao desenvolvimento ósseo.
Carência: Rara.
Cobalto (Co)
Está ligado na composição da vitamina
B12 (cianocobalamina).
Ele permite sua síntese pela microflora no aparelho digestivo. Carência:
Rara.
Selênio (Se)
Antioxidante do Organismo (com Vit.E).
Juntamente com a Vitamina E, o selênio protege as células, mais
particularmente:
- glóbulos vermelhos: reduz o risco de hemólise;
- capilares: previne as microhemorragias e edemas;
- músculos: contribui para evitar a degeneração muscular
Carência: mediana.
Iodo (I)
Ligado à síntese de T3 e T4 (hormônios tireoideanos), à reprodução
e ossificação.
Sua carência leva ao bócio (hipertrofia da tireóide) e
ao hipotireoidismo.
Carência: mediana. MINERAIS QUELATOS
Também são chamados de minerais orgânicos,
minerais quelatados ou mineral aminoácido quelato.
São minerais ligados a um aminoácido e que
possuem maior capacidade de serem absorvidos pelo organismo.
Podem ser de três tipos:
1. Mineral Aminoácido Quelato: quando uma molécula
de mineral está ligada a um aminoácido específico. É de
fácil assimilação pelo organismo.
2. Mineral Aminoácido Complexo: (específico
e inespecífico) quando uma molécula de mineral
está ligada a um aminoácido complexo. É menos
absorvida que o anterior.
3. Mineral Proteinato: quando uma molécula mineral
está ligada a um complexo polipeptídico.
É
a menos absorvida dos três tipos.
A diferença entre os três tipos está no
peso molecular, na constante de estabilidade das ligações
e nos aminoácidos utilizados.
Os minerais quelatados possuem as vantagens de serem melhor
biodisponíveis (até 90% de absorção,
contra 10 a 20% dos minerais inorgânicos), sem interferirem
na absorção de outros nutrientes, sem possuírem
efeitos colaterais, nem causarem dopping.
O simples fato de um mineral ser quelatado (ou quelado)
não significa que ele é superior aos outros.
Como exemplo temos o cálcio quelado por oxalato (presente
em alguns tipos de capim). Este complexo quelatado não é absorvido
pelo organismo. Quando vamos utilizar um mineral quelatado,
devemos conhecer sua procedência, para saber se é ou
não absorvido pelo organismo.
André Galvão Cintra
Médico Veterinário
Assessoria, Planejamento & Homeopatia
Presidente ABCC Bretão
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